Portugal
"Antes do VAR os árbitros eram como os acrobatas no circo", diz Vítor Pereira
Redação
2021-04-30 12:05:00
Antigo líder da arbitragem portuguesa aborda regra do fora de jogo e recrutamento de novos árbitros

O antigo presidente do Conselho de Arbitragem (CA) entende que o setor não pode ficar parado e deve procurar uma melhoria constante. Vítor Pereira, que durante 10 anos ocupou um dos cargos mais 'escaldantes' do futebol português aconselha José Fontelas Gomes, o atual responsável pelo setor na Federação Portuguesa de Futebol, a potenciar a arbitragem portuguesa, que tem sido criticado com especial foco nas últimas jornadas, decisivas para as decisões finais nas contas do campeonato.

"Não nos podemos resignar ao facto de estarmos satisfeitos no patamar onde estamos. Temos que melhorar, ser melhores, temos que ter mais árbitros, melhores árbitros e árbitros no topo. E são precisas medidas com consistência", aconselhou Vítor Pereira, falando em detalhe da ferramenta do videoárbitro e entendendo que os árbitros precisam de ter a noção, e os assistentes, de que devem apitar como se a tecnologia não estivesse presente.

"O videoárbitro passou a estar mais no centro das atenções. Devem arbitrar como se não houvesse videoárbitro", indicou o antigo líder do Conselho de Arbitragem, salientando que, de uma vez por todas, os árbitros têm de perceber que agora têm algo que os pode ajudar a tomar decisões certas.

"Antes do videoárbitro os árbitros eram como os acrobatas no circo. Os acrobatas sem rede, quando falhava uma mão, caíam cá em baixo desamparados no chão, sem suporte. Hoje, esses 'trapezistas' quando caem têm a rede para os ajudar e que lhes dá a possibilidade de mudar a decisão, uma decisão errada para uma certa", explicou Vítor Pereira com uma curiosa comparação.

Sem querer falar de casos concretos, Vítor Pereira abordou ainda a temática do fora de jogos de alguns centímetros e antecipa mudanças, em breve, nessa situação de jogo.

"Até onde vai o VAR? Até onde vai a questão do fora de jogo que é uma lei que mais tarde ou mais cedo vai voltar a sofrer alterações? De facto, um fora de jogo por um centímetro..."

Em declarações na Antena 1, Vítor Pereira, atualmente responsável pela arbitragem checa, chamou a atenção para a dificuldade que é verificar um fora de jogo, por exemplo, de um centímetro num relvado.

"Ver um centímetro é a unha do jogador, é a ponta do cabelo, quer dizer, é de facto, muito pouco. Ainda não é um modelo perfeito e não sei se algum dia será", salientou o antigo responsável pela arbitragem portuguesa, insistindo na questão do fora de jogo.

Vítor Pereira avisou ainda que a arbitragem terá de evitar ficar dependente das ferramentas tecnológicas. "É estar a ficar demasiado dependentes da tecnologia numa circunstância que não nos permite ter certezas absolutas. Um centímetro não é nada, quer dizer, será uma matéria que merecerá reflexão e discussão e, porventura, alteração a breve prazo".

Em relação ao quadro de árbitros atuais e de futuro, Vítor Pereira entende que a arbitragem portuguesa tem "potencial", mas, insiste, que é necessário avançar com o trabalho de recrutamento.

"Potencial há e já no meu tempo havia. Acredito que também existe. Mas pronto, temos que investir na formação. O processo de deteção não se pode circunscrever à Federação Portuguesa de Futebol e temos de ir à base a às associação distritais onde os árbitros começam".