Prolongamento
PJ no restaurante da Luz durante jantar de Vieira e Rangel
Redação
2021-02-22 10:30:00
Inspetores disfarçaram-se de clientes durante repasto em 2017

A Polícia Judiciária (PJ) marcou presença num jantar entre Luís Filipe Vieira e Rui Rangel, no restaurante do Estádio da Luz, em 2017, para tentar obter dados para a investigação no caso Lex, sabe-se agora.

Conta o Correio da Manhã, nesta segunda-feira, que os inspetors da PJ intercetaram conversas de Rui Rangel através de escutas telefónicas e perceberam que o então juiz iria estar na Luz para se sentar à mesa com o presidente do Benfica.

Desse modo, os inpetores montaram uma operação e disfarçaram-se de clientes e foram ao local para tentar acompanhar o encontro e testemunhar o que, eventualmente, se pudesse passar no repasto, que terá tido lugar a 23 de maio de 2017.

A vigilância deste jantar fez parte de um amplo processo de investigação montado pela Polícia Judiciária para tentar reúnir provas que possam incriminar Rui Rangel no âmbito deste processo e outros arguidos.

O processo Operação Lex tem 17 arguidos. Em causa estão crimes de corrupção passiva e ativa para ato ilícito, recebimento indevido de vantagem, abuso de poder, usurpação de funções, falsificação de documento, fraude fiscal e branqueamento.

Segundo uma nota da Procuradoria Geral da República, para garantia do pagamento das vantagens obtidas pelos acusados, no montante superior a 1,5 milhões de euros, foi requerido o arresto do património dos arguidos.

O Ministério Público (MP) formulou ainda um pedido de indemnização civil a favor do Estado para a condenação solidária de três dos arguidos de 393.466 euros e de outros dois arguidos no pagamento do valor de mais de 81.089 euros.

Tais montantes correspondem ao prejuízo causado ao erário público pela falta da declaração de IRS de rendimentos auferidos entre 2012 a 2017.

O MP decidiu também extrair várias certidões “para abertura de inquéritos e investigação de factos conexos com os indiciados no processo ou de factos autónomos”.

Foi ainda determinado o arquivamento por insuficiência de indícios probatórios relativamente ao antigo presidente da Federação Portuguesa de Futebol e advogado João Rodrigues.

Entre os dezassete arguidos da Operação Lex encontram-se os juízes Rui Rangel, Fátima Galante e Vaz das Neves neste caso que, ainda recentemente, conheceu novos dados.

Na última semana, recorde-se, a defesa de um dos arguidos do caso Lex admitiu que quer tornar nulas as provas mais importantes deste processo.

De acordo com a revista Sábado, a defesa de Octávio Correia alega que as perícias aos telemóveis e computadores, fundamentais para estabelecer as ligações entre os factos imputados aos arguidos, foram realizadas por quem não tinha competência legal para as fazer.