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Jogo do Povo

O Elvas. ‘Ó Elvas, ó Elvas’ o Patalino vive

RedaçãoPor Redação02/05/20247 Mins Leitura
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Entrevista a Mamadu Djaló, defesa d’ O Elvas, do Campeonato de Portugal

Entre a perfeição de momentos que o futebol oferece, há marcas que ficam para sempre e alguns tempos, dizem, são, possivelmente irrepetíveis. Mas o futebol já se encarregou de mostrar e demonstrar que é possível ser-se feliz como outrora.

Por Elvas, no mítico Campo Domingos Carrilho Patalino, há memórias na ponta da língua. E no horizonte não está apenas Badajoz à vista, como diz a canção. À beira do Guadiana e entre a paisagem alentejana ergue-se novamente um clube à procura dos anos banhados a ouro e azul como em outros tempos.

Entre o amor do futebol e a saudade de tempos idos no ‘Patalino’, o clube de Elvas volta a mostrar que quer transportar a cidade para momentos arrebatadores, em que se unem num laço forte as raízes alentejanas com a bola dentro das quatro linhas.

Por fortificações e muralhas, o Jogo do Povo entrou em campo com Mamadu Djaló, defesa de 28 anos, que foi um dos mais utilizados na equipa alentejana no Campeonato de Portugal. E, desde logo, ficou a certeza de que em Elvas o jogador tem tudo aquilo que precisa para ser feliz.

“Posso dizer que nunca me adaptei tão rápido a uma cidade e a um clube. Em Elvas e n’ O Elvas sinto-me em casa”, admitiu Djaló, mencionando que há, contudo, um adversário no calor da planície alentejana.

O campeonato do “mata-mata” em Elvas e no Patalino

“O calor que se faz sentir no verão é talvez o maior desafio, mas, de resto, tudo perfeito, desde a comida à simpatia das pessoas”, referiu o defesa, em entrevista ao Bancada, onde falou sobre a realidade que encontrou no Campeonato de Portugal.

“É o maior campeonato do país, a competitividade é alta e as equipas cada vez mais preparam-se melhor. Em poucas palavras, descreveria este campeonato como a competição do ‘mata-mata’”, observou o defesa, explicando-se.

“Tão depressa sobes muitos lugares na tabela como desces na mesma, é preciso ser muito consistente e a consistência positiva vem com muito trabalho disciplina”, referiu o jogador que tem dupla nacionalidade – portuguesa e da Guiné-Bissau.

Ao serviço do clube alentejano, Mamadu Djaló cumpriu 2470 minutos, entre Campeonato de Portugal e Taça de Portugal. O atleta só vive do futebol mas assumiu ao Jogo do Povo que esta nova vida que o O Elvas vive abre perspectivas para os jogadores conseguirem estar realizados e preocupados apenas com o futebol.

“Felizmente O Elvas dá as condições necessárias para os atletas se comprometerem inteiramente ao futebol”, confirmou Mamadu Djaló.

Com mais de uma década de futebol, o jogador já viu muita coisa. E já lhe ficaram algumas lições. “A maior aprendizagem que levo deste desporto é que sem sacrifício e disponibilidade para abdicar de muita coisa, não chegamos a lado nenhum. Só se triunfa tendo uma mentalidade muito forte, principalmente nos momentos menos bons”, assegurou Mamadu Djaló.

O sucesso entre o “impossível” na rainha da fronteira

Naquela que é, para muitos, apelidada como rainha da fronteira, O Elvas cumpriu uma época que enche de orgulho os alentejanos. Essa é, pelo menos, a convicção do defesa.

“Na minha opinião fizemos o impossível. As pessoas de fora precisam entender como foi planeada e como decorreu a preparação desta época para a equipa d’O Elvas. Houve muitas dificuldades na criação do plantel, as coisas foram feitas muito em cima da hora por motivos burocráticos, e é aqui que eu gostaria de mencionar o espírito de sacrifício das pessoas da terra, bem como o trabalho desenvolvido por aquele que era o treinador na altura, o mister Pedro Canário”, reconheceu Djaló. 

Para o defesa, em Elvas conseguiu-se colocar a equipa pronta para o Campeonato de Portugal. E isso, por si, representou já uma vitória.

“Em tempo recorde conseguiu-se juntar um plantel muito competitivo, juntamente com a ajuda da Direção do clube que sempre se prontificou a dar as melhores condições a todos os atletas e funcionários”, relatou Djaló, ciente de que as coisas não começaram da melhor forma em campo. Mas o tempo, esse grande mestre, tratou de colocar no trilho as coisas.

“Os resultados no início não foram positivos e, por esse motivo (como é normal), no futebol, a Direção entendeu que era altura de dar o lugar a outro técnico, o mister Pedro Hipólito. 

Posso dizer que as mudanças que o treinador fez encaixaram de forma perfeita, a vinda de novos reforços acrescentou qualidade ao plantel, e o nível de trabalho melhorou consideravelmente”, reconheceu também Djaló.

Assim, o defesa não se mostra surpreendido com a campanha d’O Elvas que vai sendo um romance do campo às bancadas para o povo alentejano.

“Temos sem dúvida alguma um dos melhores treinadores não só do campeonato como do país e, com o tempo, veremos até que ponto tenho razão”. 

Amorim, Freire e Álvaro Pacheco num CP como montra

Para sustentar esta ideia, o defesa lembra alguns dos treinadores que o Campeonato de Portugal já ‘ofereceu’ ao futebol português.

“Deste campeonato já se relevaram imensos treinadores que hoje são apontados como referências na I Liga”, argumentou, mencionando os nomes de “Álvaro Pacheco, Luís Freire e Ruben Amorim”.

“Resumindo e concluindo, a segunda volta que O Elvas fez no campeonato foi de líder, fomos a equipa que mais pontos fez”, recordou aquele defesa que gostaria de medir forças com Taremi. “É um avançado que me enche as medidas”, admitiu Djaló nesta entrevista ao Jogo do Povo. 

E se na bagagem da época ficam boas sensações e experiências, no legado da carreira moram também algumas peripécias.

“Houve uma situação que me marcou pela inocência da coisa. Era eu júnior de primeiro ano, tinha 17 anos e jogava na ADCEO, na altura disputamos a Divisão de Honra de juniores”, começou por enquadrar.

A solução não estava no banco?

A dado momento, estava o defesa com mais “quatro ou cinco jogadores” e a sua equipa perdia por 2-0.

“O treinador estava ‘cego’”, como é comum dizer-se tais eram os nervos. “Faltavam 20 minutos para acabar o jogo e o mister começa a falar sozinho, dizia ele ‘soluções, soluções, preciso de soluções’”, recordou, enquanto lembrava que esse treinador olhou para as opções que tinha no banco e teve um desabafo.

“Nesse momento olha para o banco de suplentes, onde estava eu e os meus colegas, e diz ‘não tenho soluções’”, citou Djaló, entre sorrisos, realçando que os jogadores, nessa altura, sentiram-se os piores do mundo.

E pelo mundo já andou Mamadu Djaló, até por clubes pouco conhecidos. Na última época, teve uma experiência nas Honduras ao serviço do CD Vida, um clube que nem o próprio tinha plena noção do que representa.

“Fui lá parar através da equipa técnica que era portuguesa. Um campeonato que eu desconhecia na totalidade, mas o desafio atraiu-me. Fui para a primeira liga de lá que é muito forte e competitiva, quem tiver dúvidas é só fazer uma pesquisa”, desafiou Djaló.

Sim, as Honduras antes do CP

“O Olímpia por exemplo foi a equipa que ganhou a Concacaf, competição que envolve as melhores equipas de toda a centro-América”, contextualizou o jogador, certo de que a experiência lhe agradou.

“Foi uma experiência enriquecedora, fiz muitas amizades, aprendi o idioma e conheci outro tipo de realidade. Vivi momentos bons e maus, faz parte. No geral foi positivo, gostei”, concluiu.

No fundo, o futebol serve também para dar mundo aos jogadores e vida aos clubes, às terras e aos adeptos. O futebol é assim mesmo e pelo Alentejano, à beira do Guadiana, continuará a dar mundo porque o Patalino é uma das fortalezas da história ibérica do futebol.

Campeonato de Portugal Liga 3 O Elvas
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