Opinião
Jorge Jesus merecia mais do que a Arábia
Fernando Gamito
2018-06-07 14:00:00

Jorge Jesus merecia mais. É um facto. O treinador que se prepara para assumir o comando técnico do Al Hilal na próxima temporada está num patamar em muito superior do que a Arábia Saudita. E sim, no momento em que este texto está a ser escrito sabe-se a possibilidade da quantia monetária que o timoneiro português vai ganhar na nova aventura. Jesus vai ficar de bolsos (ainda mais) cheios, mas a verdade é que a sua ida para as arábias resulta numa grande perda para o futebol português. Ainda assim, esta deverá ser uma experiência de curta duração, pois um técnico com a ‘fome’ de competitividade de Jesus cedo irá perceber que não a encontra tão abundante no campeonato saudita.

A saída de Jesus do comando técnico era um dado já adquirido, não apenas por tudo o que se tem vindo a passar recentemente na conjuntura do universo leonino, mas também ficou nítida aquando do regresso de Augusto Inácio. Três temporadas depois, o registo de Jesus em Alvalade no que diz respeito a títulos não é nada abundante, aliás, é de apenas uma Taça da Liga (conquistada já nesta época) e de uma Supertaça Cândido de Oliveira (primeiro troféu que disputou desde que trocou o Benfica pelo rival da Segunda Circular). Não obstante, ninguém tira a Jesus o mérito de ser o homem do leme numa fase em que o Sporting voltou a conseguir ser candidato de peso na luta pelo título e não deixar somente a verdadeira luta para os dois rivais.

Há um antes e um depois de Jesus no futebol português. Ninguém pode negar isso. Foram variadíssimas as evoluções táticas que o treinador de 63 anos trouxe para o desporto rei nacional, mas foi sempre o seu carisma que não deixou ninguém indiferente, principalmente desde que assumiu o comando técnico do Benfica em 2009/10. Entre conferências de imprensa para rir e chorar por mais, danças e polémicas com treinadores adversários nos bancos de suplentes, gaffes na língua portuguesa, tentativas de incursão pelo castelhano ou somente pela forma como entende e percebe o futebol, Jesus merecia mais. Há aqui uma grande questão: com o currículo que tem, porque é que nenhum clube europeu de dimensões elevadas foi contratar Jesus? E atenção, porque não se fala de um Real Madrid, FC Barcelona, Paris Saint-Germain, Manchester City, claro… mas, existem por aí muitas outras equipas de topo que poderiam em muito melhorar que o treinador português.

Não é que a parte financeira fosse muito importante para um clube com nível na Europa do futebol assegurar Jesus, mas a imagem do treinador tem sido desgastada aos poucos e poucos ao longo dos últimos anos, muito por culpa do comportamento e atitudes que revelou por vezes, em certos momentos. E é raro um clube do topo da montanha desportiva que nos dias que correm não dá enorme importância ao capítulo da imagem na hora de contratar. Ainda assim, engane-se quem pense que a história de Jorge Jesus no futebol europeu e, até mesmo, no português está terminada. Acredito, como um dado adquirido, que dentro em pouco tempo teremos Jesus de regresso à Primeira Liga… agora resta saber para onde será.

Sê o primeiro a comentar: