Prolongamento
Inspetores da PJ são metade das testemunhas do ex-advogado de Rui Pinto
Redação
2020-08-31 18:00:00
Aníbal Pinto está acusado de co-autoria de um crime de extorsão na forma tentada

O antigo advogado de Rui Pinto, Aníbal Pinto, arrolou 12 testemunhas no âmbito do processo Doyen, cuja audiência inicial está marcada para a próxima sexta-feira.

Dessas 12 testemunhas, metade são inspetores da Polícia Judiciária, de acordo com a contestação do arguido, hoje citada pela ‘Tribuna’, do Expresso.

Estão arrolados pela defesa do advogado o inspetor-chefe Rogério Bravo e os inspetores Paulo Abalada, Aida Freitas, Hugo Monteiro, José Amador e José Garcia.

Aníbal Pinto está acusado de tentativa de extorsão ao fundo Doyen, num processo que tem como principal arguido Rui Pinto, hacker que criou o Football Leaks.

De acordo com o Ministério Público, o advogado participou na alegada tentativa de Rui Pinto em pedir à Doyen entre meio milhão e um milhão de euros para deixar de divulgar documentação da empresa.

No julgamento, Rui Pinto vai alegar que apenas contactou Nélio Lucas, então administrador da Doyen, para saber até onde iria a empresa para que a informação não fosse divulgada, assim como apurar o real valor dessa documentação.

Já Aníbal Pinto afirma que os indícios contra ele recolhidos pela PJ devem ser anulados, de acordo com o Artigo 126 do Código de Processo Penal, segundo a ‘Tribuna’.

No entender do arguido, a gravação, pela PJ, da reunião ocorrida na área de serviço da A5 em Oeiras, em outubro de 2015, foi ilegal.

Nessa reunião participaram, para além de Aníbal Pinto (em representação de Rui Pinto), Nélio Lucas e o advogado deste, Pedro Henriques.

“Quer a PJ, quer o Pedro Henriques, quer o Nélio Lucas sabiam estar a cometer uma ilegalidade”, pois “o crime investigado não permitia o recurso a ação encoberta”, sustentou a defesa de Aníbal Pinto.

A contestação referiu ainda que essa gravação não foi autorizada pelo Ministério Público, nem proposta por este a um juiz de instrução criminal.

A defesa de Aníbal Pinto argumentou ainda que Nélio Lucas e Pedro Henriques chegaram ao local meia hora antes para articular a gravação com a PJ a gravação do encontro.

“Terminado o encontro às 16h50, verifica-se que às 18h30 o Nélio Lucas e o Pedro Henriques já estavam a prestar depoimento - ora, tal sucedeu sem que no processo exista convocatória para o efeito”, indicou também a defesa.