Visto da Bancada
Vasco Correia (Nº 183)
2017-12-15 12:40:00
Um Visto da Bancada com humor.

Vasco Correia, humorista, é o 183.º convidado do "Visto da Bancada" e conta-nos a sua experiência - bem recente - num FC Porto-Vitória de Setúbal (1-1), já em 2017. O relato fica totalmente a cargo do comediante português, que junta futebol, humor, FC Porto e uma escorregadela na luta pelo título.

Quando me pediram para escrever para o Bancada sobre um jogo que tivesse presenciado no estádio fiquei na dúvida se o devia fazer, porque acho que as pessoas não vão acreditar em nada daquilo que vou escrever. Porque o simples facto de eu ser portista e – especialmente – portista alentejano desafia todas as leis do universo criadas pelos presidentes dos clubes rivais do FC Porto. É matemática simples. Se existem seis milhões de benfiquistas (ou catorze, se contarmos com os emigrantes e os adeptos de curling), três milhões e meio de sportinguistas e mais uns milhares de adeptos do Vitória de Guimarães, Boavista, Belenenses e restantes clubes de todas as ligas portuguesas (não me esqueci dos adeptos do Sp. Braga… estão incluídos nos seis milhões do Benfica), existir um adepto que seja do FC Porto e que ainda por cima viva a 500 km de distância, é quase tão inacreditável como conseguir apanhar o Marcelo de Rebelo de Sousa em casa.

Mas vamos ao jogo. Trago-vos o relato do FC Porto – Vitória de Setúbal da última época. Não é um jogo de boa memória por várias razões. A primeira porque no dia anterior o Benfica tinha empatado com o Paços de Ferreira e se o Porto ganhasse ao Vitória de Setúbal, passaria para a frente da tabela classificativa e na semana seguinte visitaria a Luz como líder. Empatámos. O sonho do título começou a morrer aí, bem como o sonho de Nuno Espírito Santo continuar a dar aulas de Educação Visual no Dragão. A segunda razão que fez com que este jogo não tivesse sido de boa memória foi o facto de eu só ter conseguido arranjar bilhetes para o meio dos Super Dragões, onde existia uma nuvem de fumo constante proveniente dos “cigarros de enrolar” que ali se fumavam e que fez com que eu não guarde muita coisa na memória sobre esse jogo.

Contudo, houve coisas que ficaram. O FC Porto entrou nervoso no jogo e encontrou dificuldades para ultrapassar a boa organização defensiva dos sadinos. Não é que o Vitória estivesse a defender especialmente bem, mas cada vez que o Porto passava do meio-campo o jogo tinha que ser interrompido para se prestar assistência ao guarda-redes Bruno Varela, jogador emprestado pelo Benfica. Aliás, tantas foram as vezes que a equipa médica do Vitória de Setúbal conseguiu o milagre de fazer andar Varela que consta que o Vaticano pondera seriamente canonizar os médicos da equipa setubalense. Já Bruno Varela viu a sua prestação recompensada com a integração no Benfica e com uma espécie de titularidade, dependendo de como estiver o tempo.

Num desses milagrosos momentos em que Varela se conseguiu suster nas suas próprias pernas, o Porto consegue fazer o golo e ir para o intervalo na frente do marcador na sequência de um golo de Corona. Nas bancadas cantava-se “eu quero o Porto campeão” e no balneário do Vitória de Setúbal pedia-se “eu quero o Varela no chão”. Pouco depois do início da segunda parte, João Carvalho faz o empate para o Vitória e a equipa portista treme. Estavam perante um cenário tantas vezes visto nas últimas épocas, em que o Benfica perdia pontos e o Porto não conseguia aproveitar. Nas bancadas, pelo contrário, ninguém desarmava. O apoio mantinha-se tanto ou mais como antes do empate. Mas a equipa era a imagem do seu treinador. Nuno Espírito Santo é uma pessoa que não gosta de chatear ninguém e tendo o Vitória de Setúbal tido tanto trabalho para marcar, a equipa não queria estar agora a estragar esse trabalho. Ainda por cima o Vitória tinha uma pessoa sempre deitada na grande área, pelo que não era educado estarem a ir lá acordá-lo.

Algumas oportunidades em género de desespero depois e o jogo termina. Toda gente nas bancadas estava incrédula e os ânimos começaram a decair. Eu, ainda assim, saí do Dragão com um sorriso no rosto. Embora o resultado fosse decepcionante, já tinha inspirado substâncias suficientes para me fazer sorrir pelo menos durante um mês.

Recorde os onzes desta partida. 

FC Porto: Casillas; Layún, Felipe, Marcano, Telles; Danilo, Óliver, Corona, Brahimi; Soares e André Silva.

Vitória de Setúbal: Bruno Varela; Vasco Fernandes, Venâncio, Fábio Cardoso, Nuno Pinto; Fábio Pacheco, Costinha, João Amaral, João Carvalho; Nenê Bonilha e Thiago Santana.

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