Visto da Bancada
Sílvio Sá Pereira (nº 30)
2017-06-30 21:20:00
O lateral formado no Benfica recorda o dia em que estava a fazer de apanha-bolas e passou a “odiar” Jardel

A 15 de dezembro de 2001, o Benfica recebia o líder do campeonato, o Sporting, sabendo que, em caso de vitória, passaria para a frente da classificação. Entre os milhares de adeptos que enchiam o Estádio da Luz, estava, bem perto do relvado, um miúdo de 14 anos que jogava nas camadas jovens do Benfica. Sílvio conta que “não costumava ir ver jogos ao estádio, a não ser quando fazia de apanha bolas”, numa altura em que vir a representar a equipa principal do Benfica e a seleção nacional era ainda um sonho distante.

Os encarnados alinhavam com alguns jogadores que não deixaram muitas saudades, como Argel, Pesaresi ou Andrade, mas também com estrelas como Mantorras, Simão Sabrosa ou Zahovic. De resto, estes dois últimos foram os autores dos golos que davam vantagem de 2-0 ao Benfica até perto do final do encontro. Do outro lado, o Sporting contava com jogadores como Rui Jorge, André Cruz, Paulo Bento, Hugo Viana, Quaresma, João Vieira Pinto e Jardel, que seria decisivo naquela noite. À passagem do minuto 85, o brasileiro caiu na área de forma algo teatral e Duarte Gomes assinalou pontapé de penálti, apesar de Sílvio garantir que “não foi nada”. O próprio Jardel converteu o penálti com sucesso, mas o pior ainda estava para chegar. Sílvio lembra-se de que o avançado do Sporting e um jogador do Benfica estavam picados “e o Jardel, para o picar ainda mais, disse-lhe: ‘e ainda vou fazer o segundo!’ Eu era puto, estava mesmo ao pé do banco do Benfica e ouvi tudo. Passados uns minutos, o gajo [Jardel] faz o segundo. Fiquei a odiá-lo”, brinca, confessando a dificuldade que teve em conter as lágrimas na altura.

Uns anos mais tarde, o “puto” que estava a fazer de apanha bolas tornou-se profissional, mas nunca chegou a cruzar-se com Jardel em campo. Hoje, naturalmente, Sílvio ri-se ao contar a história, mas admite que foi um jogo marcante… pela negativa.

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