Visto da Bancada
Seninho (nº 66)
2017-08-05 17:00:00
Chegou a jogar com Pelé e Cruyff, no Cosmos, mas o primeiro jogo que vem à memória de Seninho foi em Angola

Depois de vários anos no ataque do FC Porto, Seninho mudou-se para os Estados Unidos, onde chegou a jogar com Pelé e Cruyff, no Cosmos. No entanto, o primeiro jogo visto da bancada que lhe vem à memória não é de nenhum desses grandes nomes do futebol, mas sim de um jogo algures em Angola, no início da década de 60, onde brilhou o seu tio, Morelos.

“Na minha infância, vi um jogo... esse não deve ter assim muito significado”, começa a contar Seninho, “era puto, e vi um dos meus tios jogar, em Angola, e nessa altura já estava com o objetivo. Estava no quarto ano, na Escola Industrial e Comercial e já estava a pensar que podia ser jogador. E marcou-me bastante, porque o meu tio era muito habilidoso, cheio de técnica, bom jogador, e eu fiquei radiante por ver aquela naturalidade, aquela paixão. Senti isso numa idade muito tenra. Talvez a minha convicção para ser jogador da bola tenha sido muito marcada por esse jogo desse meu tio. Um ano mais tarde acabei o quinto ano e disse a minha família que queria jogar à bola”, lembra.

O tio “esteve para vir para Portugal quando o José Águas veio para Lisboa, para o Benfica. Houve um episódio qualquer que fez com que ele não viesse, mas tinha qualidade para isso”, garante Seninho que, ele sim, anos mais tarde, veio para Portugal, onde brilhou ao serviço do FC Porto na década de 70. Em 1978, Seninho rumou aos Estados Unidos da América para representar o New York Cosmos, onde chegou a jogar com grandes craques como Cruyff e Pelé, e foi lá que assistiu da bancada a outro jogo marcante, algures entre o final da década de 70 e o início da década de 80.

“Um jogo de estrelas que estavam a atuar na América contra o resto do mundo. Tive pena de não estar integrado nesse jogo tão importante, porque estava lesionado. Eram, de facto, jogadores fabulosos”, conta, lembrando nomes como “Neeskens, Cruyff, Beckenbauer, Johnny Rep, Pelé, Passarella, alguns do Brasil, como o Carlos Alberto e o Rivelino”. “Foi no Giants Stadium, onde o Cosmos jogava. O estádio hoje já não existe, já fizeram um novo [o Metlife Stadium, construído mesmo ao lado do antigo estádio e inaugurado em 2010]. Vi esse jogo e maravilhou-me, porque vi muitas estrelas juntas”, diz o antigo jogador do FC Porto, que teve também a oportunidade de participar e até de marcar um golo numa partida semelhante, também no Giants Stadium, em 1978, entre o Cosmos e uma seleção de jogadores do resto do mundo.

E, assim, seja pelas fintas do tio do Seninho algures em Angola ou por ver os maiores craques da história no Giants Stadium, o futebol pode sempre ser marcante. A bola é redonda e são onze para cada lado, em qualquer parte do mundo.

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