Visto da Bancada
Rui Alexandre Jesus (nº 91)
2017-09-01 12:30:00
O presidente da Associação Portuguesa de Direito Desportivo relembra o Sporting 1, FC Colónia 1, de 1986

“Foi um jogo na bancada, mas um sítio da bancada especial, digamos assim, na Curva Sul em Alvalade”, conta Rui Alexandre Jesus, presidente da Associação Portuguesa de Direito Desportivo (APDD), ao ser desafiado a lembrar o jogo mais marcante a que assistiu ao vivo. Foi nuns quartos de final da Taça UEFA, num jogo com verdadeiros cromos de caderneta no relvado e emoção nas bancadas.

“Quartos de final da Taça UEFA, Sporting – FC Colónia, fez 30 anos agora há pouco tempo, porque foi em 1986. Empatámos 1-1. Tinha 15 anos e foi a primeira vez que fui ver um jogo ao estádio com a claque, com a Juventude Leonina, e assistir a um jogo com toda aquela preparação, ir duas horas antes para as concentrações, mesmo num jogo em casa, para um miúdo de 15 anos…  Estamos a falar do Estádio de Alvalade com cerca de 50 mil pessoas, completamente cheio”, recorda Rui, para quem “o futebol para o adepto normal envolve muito a partilha, por isso é que todos gostamos de ver futebol acompanhados. Mesmo que seja em casa com amigos ou, quando há as ‘fan zones’ nos Europeus e Mundiais, a gente vai para a rua ver, mesmo podendo ver em casa. A questão do estádio é sempre a questão da partilha”, explica.

Mas, além da presença entre a claque do Sporting, houve outras razões que tornaram esse jogo inesquecível. “Todos nós fizemos coleções de cromos de futebol, não é? Na nossa juventude, uns mais outros menos, mas acho que quem gosta de futebol, numa ou noutra altura, teve a sua coleçãozinha de cromos de futebol e o FC Colónia, na altura, veio cá com lendas do futebol alemão: o Toni Schumacher que foi um dos melhores guarda-redes do mundo, que era o guarda-redes do FC Colónia; o Pierre Littbarski, que era um dos grandes talentos da Alemanha na altura; e o Klaus Allofs que era o avançado” lembra o presidente da APDD, valorizando “a oportunidade de ver os grandes jogadores presencialmente, porque em 86 não se via na televisão os jogadores, era nos cromos, não havia internet nem nada, era só mesmo ver jogar na altura.” E isto “para não falar na equipa do Sporting, que isso via noutros jogos. A equipa do Sporting era o Jordão, ainda como substituição a entrar, o Manuel Fernandes, o Damas ainda. Mas falar do Sporting é relativo porque vi esse jogo como outros na altura.”

Rui revela ainda que houve uma razão final que tornou o jogo “marcante como adepto do Sporting: o sofrimento habitual. Começámos a ganhar 1-0 e ao minuto 89 sofremos o 1-1. Depois o Sporting acabou por ser eliminado na segunda mão por 2-0, mas eram quartos de final, primeira mão, o jogo até estava a correr bem até ao fim… ou seja, é aquele frenesim do futebol, o extremo das emoções. Comecei a ver o jogo com a claque, toda a grande festa, a ganhar 1-0 até não sei quando e depois, no fim… também não perdemos, nem fomos eliminados na altura, porque era a primeira mão, mas foi um balde de água fria”, confessa.

E, como Rui lembrou, aquele Sporting treinado por Manuel José, onde além de Damas, Manuel Fernandes e Jordão jogavam também jogadores como Virgílio, Jaime Pacheco, Oceano, Litos e Carlos Xavier, foi mesmo eliminado na segunda mão. Depois do empate em casa (1-1), com Ralph Mead a marcar para o Sporting e Klaus Allof a empatar, de penálti, perto do fim, o Sporting  perdeu em Colónia por 2-0, com outro golo de Klaus Allof e um de Uwe Bein. A equipa alemã, nesse ano, chegou mesmo à final da Taça UEFA, onde foi derrotada pelo Real Madrid.

Veja o resumo do Sporting 1, FC Colónia 1, de 1986.

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