Visto da Bancada
Paulo Cabral (Nº250)
2018-03-15 12:30:00
O antigo lateral de Belenenses e Benfica recorda a noite em que Portugal deu um banho de bola na Banheira de Roterdão.

Quando Portugal garantiu a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2002 disputado na Coreia do Sul e no Japão, a seleção portuguesa colocou um fim a um interregno de décadas sem participações na maior competição de seleções de futebol. Hoje é impensável que Portugal fique fora de uma grande competição de seleções porém, naquela altura, Portugal apenas parecia conseguir marcar presença em Campeonatos do Mundo de vinte em vinte anos. 2002 foi um ponto de viragem. Desde então, não mais Portugal falhou a presença na competição. Fulcral na caminhada portuguesa rumo ao torneio do Oriente foi o jogo disputado em outubro de 2000, em Roterdão, perante a Holanda.

 “Ganhámos dois a zero, na Banheira de Roterdão, o De Kuip, foi memorável. Uma vitória espetacular, importantíssima para a seleção, ajudou a conseguir a qualificação para o Mundial da Coreia e do Japão”, recorda-nos Paulo Cabral, antigo defesa lateral de Belenenses e Benfica. Foi, aliás, como jogador do Belenenses que Cabral chegou à seleção nacional, terminando a carreira no Restelo com uma internacionalização por Portugal, semanas depois desse encontro frente à Holanda, numa vitória por 2-1 frente a Israel em Braga. Cabral não jogou contra a Holanda, mas esteve lá e assistiu a uma vitória memorável de Portugal com golos de Sérgio Conceição aos dez minutos e de Pauleta aos 44 minutos. Pauleta que assistiu o primeiro golo. 

Em Roterdão, porém, Portugal não conseguiu apenas vencer a Holanda. Não. Enviou uma mensagem à Europa com o triunfo perante os holandeses. “Essa vitória foi importante porque também ajudou a deixar a Holanda de fora. Foi muito importante, porque a Holanda era uma seleção muito forte. Era uma grande seleção. O que ainda nos deu mais mérito. Foi uma exibição tão boa que demos um banho de bola na banheira de Roterdão”, vincou Cabral ao Bancada. “Portugal mostrou uma grande confiança e personalidade. Uma seleção composta por jogadores de grande qualidade. Demonstramos a toda a Europa a qualidade que tínhamos. Foi um jogo muito importante. O Pauleta fez um dos golos”, recorda ainda o antigo lateral. 

Cabral assistiu de forma privilegiada a uma noite gloriosa da história da seleção portuguesa, mas, por pouco, não participou nela. Afinal, foi um dos convocados de António Oliveira para o encontro. “Na altura fazia parte dos convocados mas fiquei na bancada. Fui convocado mas não entrei na ficha de jogo. Acabei a ver o espetáculo da bancada”.