Visto da Bancada
Olivier Bonamici (Nº82)
2017-08-22 13:15:00
“Ainda bem que, na altura, eu não sabia que a minha voz parecia a de um adolescente histérico”

Aubameyang (o pai), um futuro campeão do mundo, crepes de salsicha, um jornalista a estrear-se em relatos e uma alegria orgásmica. Em traços gerais, foi isto que o jornalista francês Olivier Bonamici contou, ao Bancada, num relato que, mesmo por escrito, transferiu a paixão com a qual o gaulês (ou será que já podemos dizer português?) comenta na Eurosport.

Muitos conhecem o Olivier que comenta ciclismo e futebol na Eurosport, outros conhecem o sotaque ímpar e outros ainda conhecem a loucura, paixão e gosto pela gastronomia. O certo é que, antes de mostrar tudo isto aos portugueses, Olivier já fazia relatos de futebol, na rádio, em França.

Tudo começou a 28 de abril de 1990, ainda com 17 anos. “Um amigo do meu pai, jornalista numa rádio local, convidou-me para relatar com ele o jogo entre o Rennes e o Laval, duas equipas que sempre acompanhei. Nasci em Rennes, na Bretanha, e estudava em Laval”, começa por contar.

“O meu amigo sabia da minha apetência pela comida e fomos logo buscar uma iguaria local: um crepe salgado com salsicha”

O jogo contava para a segunda divisão, com o Rennes a lutar para subir à Ligue 1. “Para mim, é como se tivesse sido a final do Mundial, uma vez que era a primeira vez que eu pegava num microfone, para comentar. O amigo do meu pai sabia da minha paixão pelo jornalismo e fez-me a prenda mais bela do mundo.  A rádio tinha apenas 1000 ouvintes... pouco importa. Para mim, é como se fossem um milhão”.

É uma história com Olivier? Sim. Poderia faltar referência gastronómica? Não, claro que não. “O meu amigo sabia da minha apetência pela comida e fomos logo buscar uma iguaria local: um crepe salgado com salsicha! Na altura, só bebia água, por isso, pedimos uma garrafa de água”.

“Era um sentimento misto de alegria orgásmica e de stress”

Sobre a experiência, Olivier tem várias memórias. Sobre o jogo, nem por isso. “Era um sentimento misto de alegria orgásmica e de stress. Como é que eu me ia safar? Ainda bem, que na altura, eu não sabia que a minha voz parecia a de um adolescente histérico. Pouco importa. O arranque oficial da minha vida profissional ia começar”, detalha Olivier, antes de assumir a falta de memória para os pormenores do jogo.

Do jogo em si, não me recordo de nada, exceto de que o Laval ganhou 2-0. Uma equipa que, apesar de jogar na segunda divisão, tinha três jogadores conhecidos: Pierre Aubame, o pai de Aubameyang, o camaronês François Omam-Biyik e o futuro campeão do mundo, Franck Leboeuf".

Olivier atirou-se orgásmica e entusiasticamente a este relato. Nem os primeiros tropeções na língua estragaram o momento. “Na minha primeira intervenção no ar, tropecei em dez palavras, mas o resto do relato correu muito bem. Exceto os meus gritos nos golos do Laval, como se fossem os golos mais importantes da história do futebol”. “Para mim, eram”.

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