Visto da Bancada
Nuno Almeida (nº 12)
2017-06-12 20:00:00
O antigo guarda-redes de futsal recorda o Benfica - Marselha, de 1990, que ficou famoso pela mão de Vata

Num jogo onde estavam, de um lado, estrelas como Carlos Mozer, Jean Tigana, Deschamps, Enzo Francescoli ou Jean-Pierre Papin, e, do outro, históricos benfiquistas como Silvino, Veloso, Vítor Paneira, Valdo ou Magnusson, foi Vata o herói da noite que Nuno Almeida nunca mais esquecerá.

O antigo guarda-redes de futsal, que, entre outros, passou por clubes como Recordação Apolo, Atlético, Correio da Manhã, Estrela da Amadora, e terminou a carreira no Belenenses, onde, em 2008, foi vice-campeão, transportou-nos até 1990, mais concretamente, ao dia 18 de abril, e a um Estádio da Luz onde “estavam, alegadamente, 120 mil pessoas, mas na realidade estavam bem mais. Um ambiente louco!”.

“Tinha eu 15 anos, Benfica - Marselha, segunda mão da meia final da Taça dos Campeões Europeus”, conta-nos Nuno. Os encarnados, treinados por Sven-Göran Eriksson tinham perdido na primeira mão (1-2) e precisavam de vencer por um para avançar para a final. “Como em vários jogos europeus éramos um grupo de 5 ou 6 e normalmente eu era o primeiro a chegar, esticava dois cachecóis para marcar os lugares no mítico terceiro anel do Estádio da Luz. De mochila às costas, com umas sandochas para mim e para o meu irmão, cheguei cerca de quatro horas antes, como normalmente nos jogos europeus”, lembra Nuno.

E, apesar de ter sido um jogo que “não foi brilhante, com poucas oportunidades de golo para ambas as equipas”, todas aquelas horas seriam recompensadas quando, “ao minuto 82, o estádio veio abaixo. Golo do Benfica! Sei que rebolei duas ou três bancadas abraçado aos meus amigos e, se aquilo já estava um inferno, com aquele golo ardeu tudo. Foi uma daquelas noites europeias que me ficou na memória. Já no ano anterior também tinha sido épico contra o Steaua.”

No meio de tanta euforia, houve um detalhe que passou despercebido não só ao árbitro, mas também a muitos dos adeptos nas bancadas: o golo de Vata foi marcado com a mão. “Só vi a bola a balançar a rede e só quando cheguei a casa é que vi como tinha sido o golo. Eu, ainda por cima, estava no lado contrário onde foi o golo e só vi a bola lá dentro”, justifica Nuno que, ainda assim, continua a acreditar na inocência do jogador angolano: “Mesmo depois de tantas repetições, ainda continuo a achar que [a mão] foi sem querer, a tentar libertar-se do defesa...”, explica.

Intencional ou não, o golo contou mesmo e o Benfica venceu por 1-0, apurando-se para a final, onde acabaria por ser derrotado pelo Milan (0-1). Apesar da desilusão final, ninguém tira a Nuno e àqueles (mais de) 120 mil adeptos na Luz a memória dos festejos proporcionados pela célebre mão de Vata.

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