Visto da Bancada
Milton Gulli (nº 27)
2017-06-27 18:05:00
Quando o Caldeirão dos Barreiros se engalanou para receber a toda poderosa Juventus

O Milton sempre se destacou dos demais. Por duas razões. Primeiro porque era o rapaz mulato com sotaque lisboeta num meio que eram raros os mulatos com sotaque lisboeta, era o Funchal nos anos 90. E destacava-se por ser mais alto que o resto da malta da mesma idade. Coisas de família. Ambos os pais são muito altos.

A profissão do pai fez com que o Milton e o resto da família, chegassem à ilha da Madeira quando era ainda adolescente e foi por influência dos pais, moçambicanos, que descobriu a grande paixão de uma vida. A música. Foi ao som do jazz e do blues que o Milton e as irmãs foram educados e foi ao som destes estilos que o Milton percebeu que ia ser músico.

Milton Gulli é um músico na verdadeira ascensão da palavra. É autor, compositor e produtor. É vocalista dos Cacique 97 e fez parte de projetos musicais de grande sucesso. Criou e integrou os Philarmonic Weed, e foi vocalista dos Cool Hipnoise.

Lembra-se da altura? Exato. O Milton decidiu jogar basquetebol e fê-lo no Marítimo, o maior clube das ilhas, dizem por lá. E foi por jogar basquetebol no Marítimo que o Milton foi convidado pelo clube, ele e os colegas da equipa de iniciados, a ir ao Estádio dos Barreiros assistir a um jogo de futebol.

O Marítimo, era treinado por Paulo Autuori e disputou nesse ano a Taça UEFA e a 18 de outubro de 1994 recebeu no Caldeirão a grandiosa Juventus de Ferrara, Paulo Sousa, Del Piero, Roberto Baggio, Ravanelli e Viali, só para mencionar meia dúzia.

No Marítimo jogavam Heitor, o brasileiro que revolucionou a marcação de livres diretos, batia-os com a parte exterior do pé, depois replicados por Roberto Carlos; Carlos Jorge, o alto defesa central que passou pelo Sporting e os pontas-de-lança Paulo Alves e Alex Bunbury, o canadiano.

“O ambiente era o tradicional no Caldeirão dos Barreiros”, lembra o Milton que na altura tinha 16 anos. “Muitos tambores e muita batucada, parecia samba, e toda a gente estava entusiasmada por causa do adversário, era a Juventus”, recorda. “Jogava aquele jogador de rabo-de-cavalo que tinha falhado o penálti na final do Mundial contra o Brasil”. Tinha pois, o grande Roberto Baggio.

O Marítimo perdeu por 0-1 graças a um golo de Ravanelli, “aquele do cabelo todo branco”, e acabou eliminado. Mas a história ficou para ser recordada 23 anos depois pelo Bancada.

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