Visto da Bancada
Miguel Guedes (nº 218)
2018-01-28 11:00:00
Miguel Guedes recordou um jogo frenético que marcou uma geração de portistas. E não foi pelas melhores razões

O jovem Miguel, de 12, anos insistiu com o pai que o levasse ao futebol num dia de temporal. As emoções vividas, uns meses antes, durante a final da Taça das Taças frente à Juventus, mesmo que perdida, não deixavam aquela criança ficar em casa em mais uma noite europeia. Mas o que estava guardado para o pequeno Miguel não era bom. Nada bom. Para além da bátega de água que caiu no Porto nessa noite, o verdadeiro balde de água gelada estava guardado para o minuto 90 do FC Porto-Wrexham de 1984.

O vocalista dos Blind Zero e conhecido comentador televisivo partilhou com o Bancada um episódio que o marcou, na alma, e que o deixou completamente ensopado por fora. Contou Miguel Guedes que a decisão de ir à bola, naquela chuvosa noite de outubro de 84, não foi fácil. Para ele não havia dúvidas, que fique claro. O problema era o pai. Quer dizer, a noite não era própria para levar uma criança à rua. Ainda para mais para um estádio de futebol, o antigo Estádio das Antas (não havia cobertura na altura, atente-se).

Mas qual é o pai que diz não a um filho quando o assunto é ir ao futebol? É que na cabeça do jovem Miguel estavam as imagens da final da Taça das Taças que o FC Porto disputou com a Juventus uns meses antes. “Era uma noite de chuva intensa e de ventos muito fortes no Porto. Não me lembro, muito sinceramente, de ter visto futebol com tão mau tempo como naquela noite. Aliás, lembro-me que o meu pai tinha tido muitas dúvidas se me deveria levar ao jogo ou não devido à intempérie que se fazia sentir, mas insisti em ir, até porque ainda tinha na minha memória a imagem da final com a Juventus, e como tal queria ir assistir a mais uma noite de glória do FC Porto”, recordou Miguel Guedes.

É verdade. O FC Porto havia disputado a final da Taça das Taças de 1983/84 com a Juventus uns meses antes e o pequeno Miguel queria ver o início de nova caminhada que, esperava ele, fosse tão, ou mais vitoriosa, que a anterior. E não era a derrota por 1-0, na primeira mão, jogada no País de Gales, que ia abalar a confiança de Miguel. O resto...bem, o resto deixamos para o Miguel Guedes contar.

“Eu fui com o meu pai para a superior norte do antigo Estádio das Antas e assisti a um jogo descontraído até cerca da meia-hora, o Porto ganhava por 3-0 e estava o trauma da primeira mão mais do que ultrapassado. Pensávamos nós, senão quando ainda na primeira parte o Wrexham reduz e cria alguma dose de incerteza.

“Na segunda parte faz o 3-2. Ora, nessa altura estava o Wrexham apurado. Quando depois o Futre faz o 4-2 as coisas, de certa forma, que retomaram a normalidade e o miúdo de 12 anos estava ensopado No momento em que estava 4-2 e o Porto estava apurado a cerca de 20 minutos do fim, os ventos eram de tal ordem que o meu guarda-chuva desfez-se e portanto ficámos a apanhar chuva até ao fim do jogo.”

Mas isto nem era tão mau, comparado com o que ainda estava para vir, certo Miguel? Pois.

“Portanto ficámos ali à espera que o jogo acabasse, com copiosa chuva, até que o dilúvio aconteceu por completo: o golo do Wrexham veio, praticamente, em cima dos 90 minutos. Foi um balde de água gelada depois de tantos baldes de água fria nessa noite. Depois foi regressar para casa partilhando os guardas-chuva com os transeuntes que iam saindo do estádio tentando escapar mais à mágoa.

“E assim foi a minha primeira grande decepção com o futebol.”

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