Visto da Bancada
Martelinho (nº 49)
2017-07-19 17:00:00
O antigo jogador que foi campeão no Boavista recorda um Espinho-Salgueiros, em que se sentiu assustado com tanta gente

“Raramente vou ver jogos ao Estádio”, começou por nos contar Martelinho, que ainda assim se lembrou de um jogo especial a que assistiu quando era miúdo. As memórias daquele dia em que foi pela primeira vez assistir a um jogo de “alguma envergadura” são vagas, mas o jogador que brilhou ao serviço do Boavista lembra-se de ter ficado impressionado pela quantidade de gente naquele Sporting de Espinho - Salgueiros.

“Lembro-me, há muitos anos, ainda era miúdo, de um Espinho-Salgueiros, na altura para subir à Primeira Liga e ficou-me na retina porque tinha um jogador da minha terra, de Lourosa, a jogar no Salgueiros e recordo-me de que estava tanta gente… que na entrada do Estádio senti-me lá um bocado apertado. Como era miúdo, fiquei um bocado assustado”, lembra Martelinho que, naquele dia, foi ao Estádio Comendador Manuel Violas acompanhado do seu irmão mais velho.

O antigo jogador não se lembra do resultado, embora tenha “a ideia de que o Salgueiros ganhou”. E está certo. Pela descrição, o jogo a que se refere só pode ser o confronto da última jornada da Segunda Liga, a 3 de junho de 1990, em que Espinho e Salgueiros disputavam a subida ao principal escalão do futebol português. À equipa da casa bastava o empate, mas o Salgueiros conseguiu mesmo vencer por 2-1 e foi promovido.

Não se lembrando do nome de nenhum jogador em particular, Martelinho lembra-se de “que o Salgueiros tinha alguns jugoslavos na altura” e, mais uma vez, a sua memória não o atraiçoa. Dragan Djukic, Stevan Milovac e Jovica Nikolic alinharam pela equipa portuense nesse dia, ainda que os golos tenham sido apontados por Tozé e Álvaro Maciel, com Nito a fazer o empate para o Espinho, pelo meio.

“Eu nem era adepto nem de um nem de outro, foi só porque estava lá uma pessoa da minha terra que quis ir ver”, diz Martelinho, que acrescenta que essa foi a primeira vez em que assistiu a um jogo importante. “Eu acompanhava muito o Feirense na altura, porque jogava na formação do Feirense e fazíamos tipo claque do clube, mas jogos assim de alguma envergadura esse foi o primeiro.” E talvez seja por isso mesmo, por não ser adepto de nenhuma das equipas em campo, que Martelinho se lembra melhor do ambiente no estádio do que daquilo que se passou lá dentro no relvado. O certo é que, quase 30 anos depois, esse dia ainda está na memória.

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