Visto da Bancada
Mário Leandro (Nº257)
2018-03-22 12:30:00
Aproveitar o serviço militar obrigatório para ir à Luz em noite europeia receber o Girondins Bordéus e ver o Diamante.

O que leva um homem radicado no estrangeiro a estar presente no Estádio da Luz numa noite europeia de outubro em 1986? Para Mário Leandro a resposta podia ser Diamantino, mas o presidente e treinador do FC Setúbal, tudo se deveu ao facto de estar em Portugal a cumprir o serviço militar obrigatório e calhar um amigo ter bilhetes para o jogo. Ah, o jogo? Benfica-Girondins Bordéus. Terminou empatado a um golo. Era a primeira mão da 2ª ronda da Taça das Taças de 1986/87, e logo contra o clube pelo qual Chalana trocou o Benfica meses antes. Não jogou, estava lesionado, como esteve durante grande parte da estadia que passou em França. 

“O jogo mais memorável que eu vi ao vivo... Foi em 1986. No Estádio da Luz. O Benfica recebeu o Bordéus. O Benfica tinha o Diamantino, chamavam-lhe o Diamante. Estavam 120 mil pessoas no Estádio da Luz”, diz-nos. Uma assunção especial para um homem que passou por França, Holanda, Alemanha ou Bélgica onde fez a formação enquanto treinador.   

“Calhou ir ao jogo, com um amigo benfiquista que tinha bilhetes. Eu estava a fazer o serviço militar obrigatório em Portugal e foi a primeira vez que estive num estádio com 120 mil pessoas. Até hoje achei memorável. A grande equipa que o Benfica tinha e 120 mil pessoas a puxar pela equipa... Era um inferno. Quando o estádio assobiava tinha de por as mãos nas orelhas, não se aguentava. Era impressionante. Agora não há estádios com 120 mil pessoas”, recorda-nos Mário Leandro. 

Benfica e Bordéus acabaram a empatar a um golo. Zlatko Vujovic até foi o primeiro a marcar na Luz, aos 17 minutos, mas Rui Águas tratou de empatar o jogo pouco depois aos 31 minutos. A partir daí, golos, só mesmo na segunda mão em Bordéus. Marcou Vercuysse aos 44 minutos e o Bordéus acabou por eliminar o Benfica da competição. Do jogo, Mário Leandro não recorda somente os goleadores e a experiência memorável de assistir pela primeira vez a um jogo ao vivo num estádio com 120 mil pessoas dentro. Em campo, estava um ídolo e um homem que o impressionou pelo que corria. 

“Foi memorável, foi extraordinário. O Benfica com a equipa que tinha... o Diamantino, o Shéu... Foi lindo. Recordo-me que o Shéu era impressionante, o que ele corria. Os quilómetros que o homem corria em campo. E a categoria do Diamantino, claro. Que era impressionante quando arrancava”, desabafa-nos o Sr. FC Setúbal. No final, ninguém sorriu, mas não importava. Aquele experiência já ninguém a rouba a Mário Leandro.

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