Visto da Bancada
Marco Airosa (Nº233)
2018-02-15 12:30:00
Marco Airosa recorda o dia em que viu Akwa fazer um golo histórico para o futebol angolano.

Outubro de 2005, Kigali, 25 mil espetadores a assistir a uma festa nunca antes vista. Aos 79 minutos o histórico Akwa fez história: Angola venceu o Ruanda por 1-0 e qualificou-se para o Campeonato do Mundo 2006. Pela primeira vez na história os Palancas Negras estavam num campeonato do Mundo. "Eu fiquei de fora, mas foi um jogo muito emocionante", recorda-nos o hoje 27 vezes internacional angolano Marco Airosa.

Por esta altura Marco Airosa, então jogador do Barreirense, dava os seus primeiros passos na equipa principal angolana. "Tinha sido a segunda vez que tinha sido chamado à seleção, foi na altura em que comecei a ir, e neste jogo não cheguei a jogar", conta ao Bancada o lateral direito hoje ao serviço do AEL Limassol do Chipre. Não jogou mas esteve na bancada a assistir aquele que passou a considerar o jogo mais memorável que alguma vez viu ao vivo num estádio de futebol.

Akwa fez o golo que deu nova alma ao futebol angolano e, no final do jogo, na hora de festejar, muitos foram os que quiseram saltar das bancadas para abraçar os heróis de Kigali para desespero das forças de segurança do Ruanda. Marco Airosa foi um deles. "Quando acabou o jogo, depois do golo do Akwa, entrámos todos em campo. Eu tinha ficado de fora, tal como o Kali, que estava castigado. Fomos para o campo para festejar e houve dois ou três militares que nos apontaram as armas", relembra o antigo jogador do Olhanense, do CD Fátima, do Nacional ou do CD Aves.

"Estávamos vestidos com o fato de treino de Angola, mas como estava toda a gente a entrar em campo eles começaram a apontar as armas a toda a gente. Foi uma situação um bocado caricata", acrescentou ainda Marco Airosa.

Airosa não esteve presente, em campo, no jogo em que Angola garantiu um momento histórico para o futebol do país, mas esteve nesse mesmo momento. Acompanhou a comitiva angolana presente no Mundial alemão de 2006 ainda que não tenha acabado por sair do banco em qualquer dos três jogos que Angola disputou. Nem na derrota por 1-0 frente a Portugal, nem nos históricos empates perante México e Irão. Mas uma coisa é certa: estar num Mundial de futebol não é para todos e aquele golo de Akwa, visto da bancada, permitiu-o.

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