Visto da Bancada
Luís Filipe Borges (nº86)
2017-08-26 12:30:00
Luís Filipe Borges recorda ao Bancada um golo de Óscar Cardozo que permitiu ao Benfica regressar a uma final europeia

O golo. O golo é sempre um momento especial mas há golos que tomam uma dimensão extra. Às vezes não necessariamente pela sua beleza, mas por aquilo que significam. Não só para o jogo em si, mas principalmente para os adeptos do clube que o consegue. Como o de Óscar Cardozo ao Fenerbahçe em 2013, por exemplo. “Quando o Cardozo aponta o terceiro, e decisivo golo, foi o delírio no estádio”, recordou ao Bancada o apresentador televisivo, guionista, ator, escritor, humorista, homem dos sete ofícios, portanto, Luís Filipe Borges.

Dois de maio de 2013. Depois de perder por 1-0 na primeira mão das meias finais da Liga Europa da temporada 2012/13 em Istambul, o Benfica recebeu o Fenerbahçe sabendo que, para alcançar a primeira final europeia em mais de vinte anos, o clube da Luz estava proibido de sofrer golos sob pena de ser obrigado a encetar uma recuperação quase épica. Se aos nove minutos da partida, Nico Gaitán, colocou o Benfica na frente do marcador igualando a eliminatória, um golo de grande penalidade de Dirk Kuyt, aos vinte e três minutos, deixou o conjunto de Jorge Jesus mais longe da final de Amesterdão. “Com poucos minutos de jogo na Luz, o árbitro apita uma inenarrável grande penalidade contra o Benfica e, de repente, era preciso fazer 3 golos e não sofrer nenhum para passar”, recordou ao Bancada Luís Filipe Borges, antigo apresentador de programas como o “5 para a meia noite” ou “A revolta dos pastéis de nata”.

“O Benfica assim o fez”, acrescentou. Depois do golo de Dirk Kuyt, Óscar Cardozo precisou de pouco mais de dez minutos para recolocar o Benfica na frente do marcador e voltar a deixar o conjunto de Jorge Jesus mais perto da final da Liga Europa. Contudo, foi o terceiro golo do avançado paraguaio – que deixou a Luz na temporada seguinte e como o melhor marcador estrangeiro da história do Benfica – que deixou em delírio os milhares de adeptos que encheram o estádio benfiquista. “Eu, a ver do terceiro anel ao lado do meu grande amigo António Raminhos - que mede cerca de 20 centímetros a mais do que este pobre adepto - levo uma enorme cotovelada do compincha quando abre os braços para festejar”, desabafou Luís Filipe Borges que foi mesmo obrigado a procurar os óculos que perante tal euforia saíram disparados. “E eis-me louco de alegria e francamente dorido, à procura dos meus óculos que voaram duas filas abaixo, procurando frenético os ditos cujos no meio de uma floresta de pernas igualmente frenéticas de benfiquistas eufóricos”.

O golo de Cardozo tornou aquele jogo da segunda mão das meias finais da Liga Europa como o momento mais memorável vivido por Luís Filipe Borges num estádio de futebol mas permitiu também ao Benfica e ao futebol português voltar a estar num encontro decisivo de uma competição europeia. Semanas mais tarde, porém, uma derrota perante o Chelsea em Amesterdão, por 2-1, impossibilitou o Benfica de regressar aos triunfos europeus.

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