Visto da Bancada
Luís Cristóvão (nº79)
2017-08-19 12:00:00
Luís Cristóvão, comentador de futebol na Eurosport, recorda a tarde em que acompanhou o Torreense ao Estádio da Luz

A magia da Taça tem destas coisas. Mesmo perante uma verdadeira goleada e um resultado que à partida não tinha por onde oferecer pontos positivos, é possível sair-se do estádio adversário com um sorriso nos lábios. Em 1987 o Torreense era um clube da segunda divisão portuguesa, emblema da zona centro da segunda divisão portuguesa, época que terminou na sexta posição e na qual o vencedor da sua série, o Sporting da Covilhã, alcançou a promoção à primeira divisão. Em 1986/87 o Torreense venceu 10 jogos, empatou 12 e apesar das oito derrotas – só o campeão zonal Sporting Covilhã perdeu menos vezes – não terem valido mais que o sexto lugar, foi na Taça de Portugal que as grandes histórias do Torreense, essa temporada, se escreveram com o clube de Torres Vedras a chegar aos oitavos de final da prova depois de eliminar Vilafranquense, Fátima e Anadia. Nos oitavos de final da Taça de Portugal 86/87, porém, calhou “a fava” ao Torreense e o clube da zona centro de Portugal foi à Luz ser goleado por 6-1.

Habituado a acompanhar o clube da sua terra em casa e em vários jogos fora como o daquela tarde de março em 1987, está Luís Cristóvão, habitual comentador da MLS na Eurosport. Em 1998, por exemplo, Luís esteve igualmente no FC Porto – Torreense a contar para a quinta eliminatória da Taça de Portugal que o Torrense venceu surpreendentemente por 1-0 com golo de Cláudio Oeiras. Na Luz, porém, e apesar da goleada sofrida, as memórias guardadas por Luís Cristóvão são mais especiais. “Também estive no Porto - Torreense de 98. Mas acho que essa memória do Estádio da Luz, por ser mais pequeno, foi mais mágica”.

Ao Bancada, Luís justifica a magia da ocasião, não só com a idade, mas principalmente pelo golo de Baltasar que aos 29 minutos permitiu que o Torreense empatasse o encontro na Luz depois de Michael Manicche, aos 27, ter colocado o Benfica na frente do marcador. “Não estava muita gente nas bancadas, mas estava muita gente de Torres Vedras. O Torreense aguentou-se um bom bocado, mas acabou por sofrer um primeiro golo. Mas o momento do jogo é o golo do Baltasar”, começa por dizer-nos o comentador televisivo que estreou há poucos dias um podcast de futebol chamado “Linha Lateral”. Mas porque foi, afinal, tão especial, aquele golo de Baltasar? “Na minha memória, aquilo foi uma correria que demorou minutos, tipo Tsubasa. Um passe em profundidade para as costas da defesa do Benfica e o Baltasar corre, corre, corre e vai meter a bola lá dentro, na baliza do outro lado do campo”, avalia Luís. “Confesso que no momento do golo, não sei se prestei mais atenção para o que se passava no campo, se na bancada, com o meu pai aos saltos e tudo isso. É uma grande memória, mesmo se depois fomos goleados. Acho que é por causa de momentos desses que me alegro muito com determinadas coisas, mesmo em jogos em que a minha equipa perde”, desabafa.

A Taça tem destas coisas, como as tem o apoio ao clube local. Vitórias e conquistas não são tudo. Para Luís Cristóvão, apesar do 6-1 sofrido pela equipa da sua terra, o jogo foi um dos mais memoráveis que consegue recordar. “Deve ter sido o primeiro jogo do Torreense que eu vi frente a um grande (tinha havido um Torreense-Porto uns anos antes, mas era muito pequeno e não fui ao estádio)” recorda-nos ainda. “Ficámos atrás da baliza, na bancada norte do antigo Estádio da Luz. Para quem estava habituado a ver os jogos e os jogadores ali de bem perto, no pelado do Manuel Marques, tudo aquilo parecia um bocado irreal”. O futebol tem destas coisas, por vezes. A felicidade nem sempre está no grandioso. Como Luís nos diz, e bem, “Nesse dia [magia] foi ver o Baltasar (um mito!) marcar no Estádio da Luz e o meu pai tão feliz por causa daquilo”.

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