Visto da Bancada
Jorge Rita (nº63)
2017-08-02 18:30:00
Jorge Rita, diretor de comunicação do FC Famalicão, seguiu do Norte sem bilhete para ver Portugal regressar a um Europeu

Decidir assistir ao Portugal - República da Irlanda de 1995 na véspera da partida e sem bilhete na mão, era, à partida, uma missão com tudo para correr mal. O jogo, porém, era decisivo. Valia o esforço. Uma vitória de Portugal recolocava a equipa nacional numa grande competição de futebol, uma ocasião que não era experimentada pelo futebol do país desde o Mundial de 1986. Contudo, naquela noite chuvosa de Novembro, Portugal não vacilou. Com golos de Rui Costa, Hélder e Cadete, todos na segunda parte da partida, Portugal carimbou a qualificação rumo ao Euro 96. Jorge Rita, hoje diretor de comunicação do Famalicão, viajou do norte de Portugal, arranjou bilhete às portas do estádio e assistiu a um momento histórico para o futebol português. 

A noite foi de festa tanto para portugueses como para irlandeses. A vitória de Portugal colocou a equipa de António Oliveira diretamente no Inglaterra '96, com os irlandeses, da República da Irlanda, a seguirem para o playoff de qualificação apesar da derrota. Curiosamente, em igualdade pontual com os outros irlandeses. Os do Norte. Jorge Rita recorda ao Bancada que apesar da derrota e da chuva impiedosa a festa feita pelos irlandeses no final do jogo tornou a ocasião ainda mais especial. Na rua trocou mesmo um cachecol com um britânico, cachecol que guarda, ainda hoje, religiosamente em casa e que Jorge considera ser um amuleto da sorte. Durante os jogos da seleção anda quase sempre com ele, diz-nos, ainda que curiosamente o mesmo não o tenha acompanhado durante o percurso rumo ao título europeu do ano passado. "Não o utilizei no último europeu mas sempre que jogava a seleção era o meu cachecol", confessa. 

"Esse jogo era decisivo para Portugal. Decidi ir com um amigo meu no dia anterior ao jogo. A lotação estava esgotada e nós fomos aqui do Norte sem bilhete. Dissemos 'vamos, olha, se não arranjarmos bilhetes vemos o jogo num sítio qualquer'" conta-nos Jorge Rita. A confiança na vitória era total. "Vamos para a festa porque nós vamos ganhar. E ganhámos", recorda o diretor de comunicação do Famalicão. Mas, afinal, como conseguiu Jorge Rita e o amigo arranjar bilhete para um jogo que estava, em teoria, esgotado? "Chegámos ao estádio por volta da hora de almoço, à saída do carro começamos a perguntar e na 'candonga' arranjamos bilhetes. Nem nos levaram mais dinheiro por isso. Foi uma pessoa que encontramos na rua e nos vendeu dois bilhetes". Uma sorte, portanto. "Vimos o jogo muito perto do relvado, o Estádio da Luz estava cheio", relembra ao Bancada Jorge Rita. "Chovia torrencialmente, não havia a comodidade que há hoje e levámos um grande banho" diz-nos ainda. 

"Por ter ido para Lisboa sem bilhete, por estar a chover torrencialmente, por termos decidido ir à última da hora... foi memorável por tudo isso", mas há mais. Porque quem vê futebol desde os anos 80 tem muito para contar, Jorge Rita recorda-nos ainda um Sporting de Braga – Tottenham. O Braga, clube da cidade natal de Jorge, recebeu os ingleses do Tottenham por ocasião da primeira mão da primeira eliminatória da Taça UEFA de 1984/85. Memorável talvez pelas piores razões - o Braga foi copiosamente derrotado por 3-0 em casa e por 6-0 em White Hart Lane -, o encontro não deixou de ter sido uma das primeiras memórias de Jorge Rita no que ao futebol ao vivo diz respeito. E já se sabe como é: as primeiras vezes são sempre especiais. "Na altura o treinador do Braga creio que era o Quinito. E lembro-me que o surpreendente era que o Braga ia jogar um jogo europeu e o Tottenham era uma das equipas mais fortes de Inglaterra na ocasião", relembra-nos.  

A memória já não era clara para Jorge Rita mas não o atraiçoou. "Se não me engano tinham ganho a Taça UEFA ou venceram-na nesse ano". Tinham mesmo. Na temporada 1983/84, o Tottenham venceu o Anderlecht nas grandes penalidades numa altura em que a competição era disputada numa final a duas mãos. O Braga recebeu, por isso, um Tottenham vencedor em título da Taça UEFA. "Ao intervalo já venciam por dois ou três a zero. Na altura jogava no Braga um dos meus ídolos de infância, o Jorge Gomes". "Recordo-me ainda que o Quinito nesse jogo estreou um jogador que era o Rifa, tinha 18 anos e jogou a titular nesse jogo. Nessa noite não se falou noutra coisa", relembrou ainda ao Bancada Jorge Rita.

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