Visto da Bancada
João Meira (nº6)
2017-06-06 19:45:00
João Meira trocou o futebol português pela MLS e conta ao Bancada o dia em que assistiu ao primeiro jogo ao vivo

Diz o povo que nunca há vez como a primeira. É inesquecível. Para João Meira, ex defesa central do Belenenses e, hoje, pela MLS nos Chicago Fire, também a sua primeira vez futebolística se tornou inesquecível. Nascido e criado por uma família benfiquista e sportinguista, João Meira nunca esquecerá o primeiro jogo que viu. Se, pela televisão, teve a sorte de cair no futebol com o épico Benfica 6, Sporting 3, ao vivo, foi a imponência de um Estádio da Luz cheio que o arrebatou. "Eu cresci no meio de familia benfiquista e sportinguista, toda a minha família - pai, mãe, irmão - era benfiquista, mas também tinha tios e um avô que eram doentes pelo Sporting", conta-nos.

João Meira fala ao Bancada depois de um atarefado dia de pré-época em Chicago. Treino, almoço e sessão de massagens incluídos. "A partir do momento em que vi aquele jogo, o meu entusiasmo pelo futebol foi completamente diferente", anuncia, um jogo capaz de "unir de desunir uma família", vinca entre risos. O que seguiria era o relato de um momento especial. 

João tinha sete anos, afinal. 1994. Benfica e Porto discutem no Estádio da Luz a primeira mão da Supertaça Cândido de Oliveira. Contra a vontade da mãe, que considerava um Benfica – Porto um jogo de elevado risco para as suas crianças assistirem ao vivo, "uma tarde o meu pai chegou a casa e disse ter bilhetes para ir ver a bola e disse à minha mãe que ia levar o Tiago, o meu irmão, e o João se calhar também vai connosco. A minha mãe disse para ele nem pensar nisso, era um Benfica-Porto, era uma loucura, e o meu pai bateu o pé e disse que não, que o João (eu) ia também, que queria que eu fosse com eles", recorda.

"Lembro de ter chegado ao estádio e ter ficado extasiado. Era uma coisa gigantesca", confessa. João acompanhou o pai e o irmão num jogo que o apaixonaria de vez pelo desporto Rei. "Quando chegámos sentei-me na cadeira e fiquei calado, só a olhar à volta, um pouco assustado com o ruído que vinha das bancadas. Uma coisa soberba", acrescenta ainda. Viu o malogrado Rui Filipe sentar Preud’Homme, viu Vítor Paneira empatar pouco depois com um volley imparável mas terminaria o seu primeiro jogo de futebol ao vivo sem ver uma equipa vencer. O que menos percebeu? A razão pela qual Abel Xavier, Nelo, João Pinto, Secretário e Rui Filipe a certa altura desaparecem do relvado rumo aos balneários. Disse-lhe, o pai: “portaram-se mal filho, aquilo que fizeram não é futebol”.

"Esta foi a história que mais me marcou, por ter sido o meu primeiro jogo ao vivo, ainda para mais com a minha família, com o meu pai e o meu irmão, que são aficionados loucos por futebol", "também já tive a oportunidade de jogar no Estádio da Luz mas nesse dia pelo menos estavam do meu lado", conclui com satisfação.

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