Visto da Bancada
Dinis Resende (nº77)
2017-08-17 12:30:00
Antigo central lembra uma das situações mais “hilariante” e “surreal” do futebol português

Em 1986/87 Dinis Resende estava a dar os primeiros passos na carreira e no final dessa época preparava-se para trocar o Feirense pelo Beira-Mar, clube do qual viria a ser um histórico. Mas a maior recordação que tem dessa época aconteceu num estádio de futebol em que era espectador, envolvendo um caso que classifica de “hilariante”, “surreal” e “anedótico”. A história envolve dois jogos, embora o antigo central tenha estado presente somente num deles, obviamente - em Paços de Brandão, onde o clube da terra discutia a subida aos campeonatos nacionais. Temos história!

“O jogo que me salta logo à memória é o célebre 32-0 para a Sanjoanense e para o Paços de Brandão”, dispara Dinis, entre risos. Como assim, 32-0? Para as duas equipas? “Recordo-me que foi muito engraçado. Era o último jogo do campeonato e as equipas estavam empatadas na liderança com os mesmos pontos e em igualdade no confronto direto, sendo que a diferença de golos é que iria ditar o campeão distrital. O Paços de Brandão estava a jogar com o Tarei e a Sanjoanense com o Bustelo. O jogo implicava a subida à Terceira Divisão. Moral da história: ficou 32-0 para as duas equipas”, recorda ao Bancada.

Coincidência? Nada disso. “Em Paços de Brandão ou ameaçaram os jogadores adversários ou tentaram corrompê-los. Não sei o que fizeram, só sei que na segunda parte começaram a entrar golos atrás de golos. Entretanto, deveriam estar ‘espiões’ da Sanjoanense em Paços de Brandão, que comunicaram via rádio o resultado. Em São João da Madeira o adversário também começou a facilitar. Entrava um golo em Paços de Brandão e segundos depois entrava um golo em São João da Madeira. Acabaram ambos por ganhar 32-0”, explica-nos o jogador que também ficou célebre pelas suas longas barbas, que lhe valeram a alcunha de “Sandokan”.

“Segundo se ouviu dizer na altura, embora não saiba se é verdade, a própria GNR teve cumplicidade no caso, pois terão sido eles a comunicar pelo rádio do jipe quando aconteciam golos no jogo do Paços de Brandão. Esta história ainda foi para tribunal e os guarda-redes das equipas vieram dizer que tinham sido ameaçados com pistolas e que tinham sido obrigados a deixar entrar as bolas. Durou meses… e nos jornais saíam testemunhos de jogadores quase hilariantes”, lembra Dinis Resende, que na altura era sócio do Paços de Brandão, tal como o pai.

Escusado será dizer que a “brincadeira” saiu caro a ambas as equipas. “Foi um episódio que deu uma grande polémica no futebol português e que chegou mesmo a ter impacto internacional. O caso foi para os tribunais e as duas equipas foram despromovidas. Quem subiu nesse ano foi o Esmoriz, que tinha sido terceiro”, remata Dinis, entre muitos risos proporcionados pelas memórias que ainda guarda dessa jornada final alucinante do Distrital de Aveiro.

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