Visto da Bancada
Cláudio (nº 141)
2017-10-31 12:30:00
Antigo central lembra um dos maiores dérbis da história do futebol mundial no Maracanã

Quem já esteve no Estádio Maracanã não esquece a experiência. Sobretudo, quando se trata da memória de um jogo decisivo e com o “recinto dos recintos” lotado. De um lado o Flamengo. Do outro do Fluminense. O célebre Fla-Flu, um dos maiores dérbis da história do futebol brasileiro e mundial. Em jogo o título carioca de 1995. Nas bancadas estava Cláudio, ainda antes de se tornar num defesa central que viria a passar grande parte da carreira em Portugal. No final, o estádio quase veio a abaixo. E Cláudio não se esquece desse dia.

“O primeiro jogo que me vem à cabeça é o do golo do Renato Gaúcho com a barriga”, recorda ao Bancada o atual responsável pelo marketing do FC Vizela, clube que representou como jogador, a par de Gil Vicente, Académico de Viseu e Trofense, entre outros. “Era pequeno. Lembro-me que o Maracanã estava lotado, era uma confusão para entrar e não dava nem para sentar”, relembra Cláudio.

A razão era simples. Em campo estavam dois rivais. O Flamengo comemorava o centenário e na frente tinha uma dupla de luxo: Romário e Savio. No banco estava ainda um jovem técnico Vanderlei Luxemburgo. Do lado do Flu, o objetivo era terminar com a seca de dez anos sem títulos. Isto numa época em que o Maracanã ainda nem tinha cadeiras e que a lotação do estádio se situava nos 120 mil espectadores. Dizem os registos que nesse jogo estavam cerca de 112 mil adeptos a vibrar com a partida. A grande maioria do Flamengo. Mas com Cláudio e o pai do lado do Fluminense. “Desde pequeno que era o Fluminense e depois desse jogo ainda mais”, garante-nos.

Tudo começou de feição para o Fluminense, que ao intervalo vencia por 2-0. O Flamengo respondeu no segundo tempo e empatou o jogo. O Fluminense já só contava com oito jogadores, após três expulsões, enquanto o rival jogava com dez unidades. Nas bancadas os adeptos rubro-negros já faziam a festa. Até que aos 87 minutos surgiu o lance que se tornou eterno na história do futebol brasileiro. “Foi um cruzamento do Ailton pelo lado direito e o Renato Gaúcho encostou com a barriga para o golo do título”, descreve Cláudio.

Deu-se, então, o início de uma festa que quase deitou o maior estádio do Mundo abaixo. “Pensava que o estádio ia desabar. Quando foi o golo as bancadas balançavam mesmo, parecia que o estádio ia cair. Até disse ao meu pai que estava com medo porque aquilo ia cair. Abraçávamo-nos e beijávamo-nos todos uns aos outros. Foi uma loucura”, remata o antigo central goleador do Gil Vicente.

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