Visto da Bancada
Carla Carvalho Dias (nº137)
2017-10-26 11:25:00
O futebol visto de forma... alternativa.

Guarda-chuva, bifana, polícias, diferenças entre Rui Vitória e José Mourinho e uma crítica aos adeptos da bola. É disto que se vai falar. Confuso? Se espera uma história de alguém entendido em futebol, saia já daqui. Feche a página e volte ao “Visto da Bancada” apenas amanhã. Se quer uma visão alternativa de como se vê futebol, está no sítio certo.

Como nem só de adeptos fervorosos, enciclopédias do futebol e de treinadores de bancada se faz este desporto, quisemos trazer-lhe uma história contada por alguém que não pesca nada do assunto. Carla Carvalho Dias é uma reputada public speaker e fundadora da “Top Service Academy” e conta, ao Bancada, aquilo que lhe interessou nos (poucos) jogos a que assistiu.

O batismo

Com sete anos, Carla foi levada por um tio a um jogo do Sporting. “Recordo-me de rir muitíssimo com um senhor que batia com o guarda-chuva no chão e dizia asneiras de enxurrada. Isto fez as delícias de uma criança que é surpreendida num jogo de futebol”. Mas e jogo, Carla, o jogo? “Não me lembro do jogo, nem sequer se o Sporting ganhou. Deduzo que tenha ganho, pela alegria do meu tio no regresso a casa”.

De regresso

40 anos depois, deu-se o regresso à bancada. Garantimos-lhe: as memórias que Carla Carvalho Dias tem do recente Benfica-Manchester United davam para um pequeno livro. Reduzimo-las e trazemos-lhe pormenores de quase tudo menos de... futebol.

“Adorei a bifana e a imperial antes do jogo”, recorda, antes de recordar, também, a preocupação dos filhos com uma mãe que, de futebol, percebe zero: “Mãe, olha que tu no estádio não te podes enganar na baliza (…) na dúvida, não grites, por favor”.

Após o “francamente marcante” minuto de silêncio pelas vítimas dos incêndios, veio a bola. A bem dizer, aos olhos de Carla Carvalho Dias veio tudo menos bola. “Estava demasiado empolgada a observar o trabalho dos polícias e os adeptos da equipa adversária, entre aquilo que me pareceram grades (…) mas preocupei-me em saber qual era a baliza onde supostamente deveria gritar golo”, alerta, antes de constatar: “não sabia que os guarda-redes passam grande parte do jogo longe dos postes e da rede”.

Olho de profissional

Os ossos do ofício fazem com que Carla Carvalho Dias trabalhe bastante com comunicação grupal, linguagem não verbal e postura em público. Por isso, nada melhor do que observar, ao pormenor, Rui Vitória e José Mourinho. Vamos à análise.

“Já o jogo tinha começado quando percebi que o treinador do Manchester era o Mourinho, personagem por quem tenho alguma admiração e cujos livros li, numa perspectiva de compreender trabalho em equipa. Foi nesse momento que percebi que não iria ver o jogo, mas sim observar os treinadores. O outro era o Rui Vitória, meu companheiro na coleção de livros da “Arte da Guerra”. Percebi que o Mourinho não tira as mãos da sua gabardina. Confesso que pensei que prender as mãos deverá ser uma forma de defesa da sua linguagem não verbal. Comecei a ver as diferenças. Vitória a andar de um lado para o outro, a falar, gesticular, gritar e reclamar com o árbitro. Mourinho só tinha uma de três posições: tranquilo e de mãos nos bolsos, a mexer nas garrafas de água ou sentado no banco”.

Entre um frango de Svilar, que passou quase despercebido, e alguns socos dados pelo adepto da cadeira atrás, o jogo foi caminhando para o final.

“Ainda faltavam mais de dez minutos e começo a ver adeptos, onde se incluía o meu amigo dos murros na cadeira, a sair do estádio. Senti falta de confiança e pensei que não deveria ser bom para os jogadores perceber que os seus adeptos desistiam. Isso não é apoio, é baixar os braços. 30 segundos podem ser suficientes para ganhar um jogo. Sou tão devoto ao meu clube e desisto a 10 minutos do fim?”, questiona.

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