Visto da Bancada
Bruno Cardoso (nº 159)
2017-11-19 12:30:00
Quando um jovem de oito anos percebe quem nem todos os passes de Rui Costa são acertados

Começamos por lhe dizer que o episódio que recordamos no Visto da Bancada de hoje inclui um passe de Rui Costa que deixou o nosso convidado a chorar, um pai exaltado e ainda uma tremenda multidão que por pouco não esmagou o pequeno Bruno Cardoso. E porquê? Porque era dia de tentar entrar num Estádio da Luz com mais de 120 mil espectadores. O momento era de consagração de uma equipa já campeã. Falamos do Benfica-Vitória de Guimarães da última jornada da época 1993/94. O encontro terminou 0-0, mas nesse dia, o resultado era o que menos importava.

O antigo capitão da equipa de futsal Leões de Porto Salvo jamais esquecerá o dia em que se viu numa imensa multidão. “Era uma loucura para entrar no estádio”, começou por recordar o antigo jogador de futsal que fez grande parte da sua formação no Sporting. “Chegou a uma altura em que eu já estava esmagado. Agora posso-me rir, mas na altura não achei muita piada”, disse ao Bancada. Ainda para mais, porque na memória de Bruno está a imagem da preocupação estampada no rosto do pai, lembrou. “Vi o meu pai muito exaltado. Lembro-me de que as pessoas se estavam a virar contra os porteiros.”

Depois de passado o pior, o Bruno e o pai lá conseguiram entrar num Estádio da Luz lotado. “Eram cerca de 120 mil pessoas”, contou o atual professor de Educação Física e personal trainer. “Entrámos ainda a tempo de ver o aquecimento. Estavam todos com os cabelos pintados, para a festa. O meu pai lá me arranjou um lugar em cima de um muro”, lembrou.

Os minutos que se seguiram foram de uma enorme desilusão para o Bruno, então com apenas oito anos de idade. “Os jogadores estavam a chutar bolas para as bancadas. E o Rui Costa fez um passe para a zona onde eu estava com o meu pai”. E por um momento, Bruno susteve a respiração, a hipótese de ver aquela bola na sua posse foi real. Apenas por breves instantes. Infelizmente para o jovem Bruno, o passe de Rui Costa só por muito pouco não terminou nas mãos do seu pai. A desilusão, foi tremenda.

“O meu pai ainda se esticou para agarrar a bola. E foi por muito pouco que não conseguiu. Desatei a chorar”, lembrou Bruno ao Bancada, já muito mais conformado com o facto de não ter ficado com aquela bola e também com o facto de nem sempre, os passes de Rui Costa serem os mais acertados. Pelo menos para ele.

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