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Um português à conquista do México: que comece a Fiesta Grande [3/14]
2018-11-29 22:55:00

UMA LIGA VIRADA PARA DENTRO E COM UM OLHO NO FUTURO

Uma das razões que fazem da Liga MX uma competição com identidade e personalidade são duas regras impostas pela federação mexicana de proteção ao jogador local e que em muito têm contribuído para a melhoria da qualidade do jogador mexicano. Não é por acaso que, nos últimos anos, tenham surgido na Liga MX alguns dos mais talentosos jogadores mexicanos das últimas décadas como são os casos de Hirving Lozano, à cabeça, potencialmente capaz de se vir a tornar o melhor jogador mexicano da história, mas também nomes como Erick Gutiérrez, Rodolfo Pizarro, Orbelín Pineda, Edson Álvarez, Cesar Montes, Érick Aguirre, Gerardo Arteaga, Víctor Guzmán, Roberto Alvarado, Jesús Angulo, Jonathan González ou, claro, a futura super estrela mexicana e novo menino bonito do futebol azteca, Diego Lainez.

Uma delas é a regra 9/9. Uma regra que limita a inscrição de jogadores estrangeiros ou de jogadores não formados no país a nove por cada ficha de jogo nas competições nacionais. Ou seja, sempre que um clube vai a jogo apenas pode incluir na ficha de jogo nove jogadores não mexicanos ou nove jogadores não formados no país. Assim, cada convocatória de 18 jogadores, os onze titulares mais os sete suplentes, terá de ser composta em igual número entre jogadores mexicanos ou formados no país e o seu contrário.

A esta regra acresce ainda uma outra que entrou em vigor esta temporada e mesmo em equipas como o América ou o Tigres pouco dadas ao talento local e aos jovens jogadores mexicanos (especialmente o Tigres), o efeito da mesma começa a ser visível. Falamos da “Regla Menores” que obrigou os clubes mexicanos a completar um mínimo de 765 minutos, acumulados, com jogadores nascidos em, ou depois, de 1997 durante este Apertura. Um número que sobe para os 1000 minutos no Clausura 2019, o próximo torneio do futebol mexicano, a começar em janeiro. Estes mil minutos terão de ser cumpridos por jogadores nascidos em, ou depois, de 1998, sendo que metade deles poderá ser cumprido por jogadores nascidos em 1997.

O efeito destas regras foi notório ao longo do Apertura e foram vários os jogadores que aproveitaram para se dar a conhecer ao futebol Mundial, muitos deles, oferecendo largas promessas para o futuro. Nomes como Marcel Ruiz, Jesús Angulo, Vladimir Loroña, Aldo Cruz, José Hernández ou Ismael Govea tiveram as suas estreias esta temporada, todos eles nascidos em ou depois de 1997 e cuja ascensão, em especial Marcel Ruíz, ainda com 17 anos, ou Jesús Angulo, já convocado para a seleção mexicana, tem sido meteórica. Algo que, porventura, sem a imposição da Regla Menores talvez nunca tivesse sido possível. A título de exemplo, os 26,5 anos de idade média da Liga MX colocam a primeira divisão mexicana abaixo da média etária de ligas como a La Liga, a Premier League ou a Serie A, para muitos, as três principais ligas Mundiais. Uma média semelhante à da Liga Portuguesa.

Mas não é só dentro de campo que a Liga MX ganha pontos no que ao seu futuro diz respeito. De há alguns torneios a esta parte que as equipas jovens acompanham sempre as deslocações dos plantéis principais, sendo a Liga MX um exemplo no que à comunicação diz respeito. Nas redes sociais da competição a partilha dos melhores momentos de cada jogo é praticamente instantânea ao acontecimento, sendo disponibilizados a curto prazo resumos alargados de cada jogo, bem como coletâneas com os melhores golos, melhores defesas e melhores jogadas de cada fim de semana. É, por isso, uma competição totalmente integrada no atual Mundo digital em que vivemos, sempre associando-se a causas sociais importantes. A certa altura da temporada todos vestem rosa, inclusivamente a bola oficial da competição, em memória das vítimas de doenças mais associadas com a população feminina.

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