Prolongamento
Tixier: quase FC Porto, quase Benfica, festa com Jesus e forrobodó com Quaresma
Mauro
2018-06-29 18:00:00
Tixier é aquele rapaz que apareceu na Naval, mas que se tornou conhecido na Académica e, depois, na União de Leiria.

Lembra-se de Tixier, médio/defesa francês que passou pela Liga Portuguesa no início do século? Nós ajudamos: era aquele rapazinho que apareceu na Naval, mas que se tornou conhecido na Académica e, depois, na União de Leiria. Aquele tipo que, um dia, teve um problema com Quaresma, que esteve muito perto de reforçar o FC Porto e o Benfica e que beneficiou do festão organizado por Jorge Jesus. Mas já vamos desenvolver estas histórias. O Bancada descobriu Damian Tixier, agora com 38 anos, e esteve a conversar com ele.

Em Portugal, este francês teve duas versões: a primeira, de cabelo comprido, acondicionado por uma fita. A segunda, de cabelo curto e espetado, por vezes até em crista. É provável que recorde melhor a primeira versão (ver foto do artigo).

Começamos já pelo forrobodó. A passagem de Tixier por Portugal ficou marcada por um episódio polémico com Quaresma. Em 2007, União de Leiria e FC Porto defrontaram-se num jogo que deu vitória leirirense, por 1-0. Nada, nesse jogo, passou sem dedo de Tixier:

Momento 1: aos 47 minutos, Quaresma divide um lance com Tixier e acerta na cara do médio. Elmano Santos, árbitro madeirense, expulsa Quaresma, que acabou por ser suspenso por dois jogos.

Momento 2: Não satisfeito com a proeza de ter conseguido expulsar Quaresma, Tixier tratou de, aos 70 minutos, colocar uma bolachinha na baliza de Helton. A União venceu por 1-0 e Tixier esteve na berlinda.

Ao Bancada, o jogador recorda o tal momento polémico com Quaresma. “Houve muita polémica por nada. Nós jogámos um contra o outro muitas vezes. Ele era bom e eu também. Eu magoei-o no jogo da primeira volta [Quaresma partiu o maxilar num lance dividido com Tixier] e ele magoou-me no jogo da segunda volta”, explica, desdramatizando o episódio. Recorde o lance.

Tudo feitinho com o FC Porto

Plot twist: Sim, Tixier “entalou” Quaresma. Sim, Tixier “entalou” o FC Porto. Sim, Tixier impressionou os dragões. Os dragões não só não ficaram magoados com a “malandrice” que o francês fez à equipa na altura treinada por Jesualdo Ferreira, como viram neste lateral/médio centro uma boa solução para reforçar o FC Porto.

O próprio jogador recorda-nos esse período negocial: “Eu queria ir para o FC Porto e tinha um contrato de três anos. Eles fizeram mesmo a oferta à União de Leiria. Só que o presidente [João Bartolomeu] queria vender-me ao Lens, de França, porque davam mais dinheiro. Davam dois milhões, enquanto o FC Porto dava apenas um milhão”.

Desta forma, o percurso de Tixier em Portugal terminou – o jogador foi mesmo para o Lens –, mas contra a vontade do pobre rapaz, que não só não pôde ir para o “tubarão” FC Porto como teve de sair do país onde gostava de estar. “Eu não queria ir para França, queria jogar no FC Porto”, garante, fazendo uma revelação: “Até foi falado de eu ter nacionalidade portuguesa, a Federação contactou o meu agente. Fiz mais de 100 jogos em Portugal e teria adorado ficar toda a carreira aí. Adoro esse país e sinto-me mais português do que francês. Graças a Portugal, realizei o meu sonho”.

Pausa na história. Desafiámos Tixier para uma sequência de perguntas de resposta rápida. Ele fez algumas batotas, como perceberá, mas, no geral, cumpriu. Bem jogado, Damian!

Melhor treinador que teve: “O melhor treinador não é um, são dois: Jorge Jesus e Artur Jorge”. Aqui está a primeira batota… era só um!
Melhor jogador contra o qual jogou: “Cristiano Ronaldo, quando estava no Sporting. E o Quaresma! E o Nani! E o Deco”. Caramba, Tixier, já vais em quatro!
Melhor momento da carreira: “Quando fui campeão da Ligue 2 com o Le Havre”.
Pior momento da carreira: “Quando terminei a carreira, no Nantes”.

Tixier já disse ainda que o seu estádio preferido é o Estádio da Luz e que idolatra Laurent Blanc. “Que classe, que calma!”, explicou, em entrevista ao “Ouest France”. Na mesma entrevista, Tixier disse ainda com quem nunca iria de férias: “Com o Raymond Domenech [ex-selecionador francês], porque ele é um zero. Esse tipo é uma farsa do futebol francês”.

O menino de Jesus ficou cansado

Tixier chegou, para além do interesse do FC Porto, a despertar o interesse do Benfica. Jorge Jesus foi para os encarnados, em 2009, e, nessa altura, a imprensa falou do interesse do técnico em “pescar” um jogador que tinha orientado na União de Leiria. Tixier estava, nessa altura, com 28 anos e jogava no Le Havre. Chegou a confirmar, à “Antena 1”, os rumores veiculados. “Sim, o meu empresário falou com Jorge Jesus, mas não posso dizer mais. Se for para o Benfica, será muito bom. É um grande clube e ótimo para regressar a Portugal”. As coisas acabaram por não acontecer, mas falou-se de que o interesse de Jesus era, essencialmente, pela fiabilidade e polivalência de Tixier.

E esta é uma boa deixa para falarmos do que fazia este francês lá dentro. Era lateral, mas chegou a jogar a central e até a médio defensivo. Ao Bancada, Tixier explica onde se sentia melhor. “Eu sempre preferi jogar a lateral-esquerdo, posição em que o Jorge Jesus me colocou. Mas também gostei de jogar a médio. Foi o Artur Jorge que me disse ‘tu podes dar um bom médio’, quando eu estava na Académica”.

Andemos até ao presente. Na conversa com o Bancada, Tixier explicou o que anda a fazer. Terminou a carreira relativamente cedo, com 32 anos, como jogador do Nantes. “Eu estava cansado. Disse ao presidente do clube que não podia mais, precisava de parar”, explicou, antes de contar: “Abri o meu próprio ginásio, em Nîmes [sul de França]. Novinho em folha”.

O festão de Jesus

Pedimos a Tixier que contasse uma história engraçada que tenha vivido e que o tenha marcado. Depois de dizer que era costume gozarem com as roupas uns dos outros, no balneário, o francês recordou-nos a temporada em Leiria… com Jesus.

“O Jorge Jesus é muito engraçado. Um dia, ele fez-nos uma grande surpresa quando fizemos um bom campeonato pela União de Leiria, em 2005. Organizou uma grande festa, num restaurante, e ele contava as piadas”, começa por contar, acrescentando: “Mas ele também era muito forte taticamente…”.