Prolongamento
Teqball: um novo desporto, com Portugal na linha da frente
Diogo Cardoso Oliveira
2018-08-08 22:00:00
Malta, se querem representar Portugal, é a vossa oportunidade.

Juntar desportos está na moda. Do futebol e do vólei fez-se, por exemplo, o futevólei, modalidade tão apreciada pelos futebolistas. Mas isso parece estar a mudar. Agora, a malta da bola gosta de outra coisa: o teqball.

O Bancada foi saber mais sobre isto e descobriu que Portugal está a tentar ser o primeiro país a ter uma Liga de teqball. Entre outras curiosidades.

Antes de qualquer outra coisa – e temos de tentar seduzi-lo para este texto –, vamos às regras. Para jogar isto, precisa de mesa semelhante à do ping-pong e uma bola de futebol. Mais nada. Ou melhor, falta outra coisa: que a mesa seja côncava nas extremidades. Karoly Henczi, presidente da Associação Portuguesa de Teqball (APTQ), explica, ao Bancada, que a curva na mesa “não é só para ser giro”. “É curva porque assim a bola ressalta sempre diretamente para o jogador. Se fosse uma mesa plana, a bola bateria de baixo para cima e não para o jogador. Quando ela ressalta, fica mais fácil para o jogador. Além de que, assim, a bola ganha velocidade”. Mas vamos lá às regras mais interessantes. 

Regras:
- Seja a pares ou singulares, só podem ser dados, no máximo, três toques até enviar a bola para o outro lado.
- Os três toques têm de ser dados com partes diferentes do corpo. Se a receção é feita com o pé direito, o passe ou remate têm de ser feitos de pé esquerdo ou cabeça, por exemplo.
- quando se joga a pares, quem recebe o serviço não pode enviar logo para o outro lado, tem de passar a bola ao parceiro.

Estes três aspetos são os mais importantes na distinção que deve ser feita entre o teqball e, por exemplo, o futevólei. “Os jogadores de futebol dizem que é ótimo para treinar o domínio de bola. Já há muitos clubes que utilizam o teqball antes do treino, para aquecer”. Na seleção do Brasil, pelo menos, o teqball já fez sucesso.

Se o vídeo já lhe criou o bichinho, então tenha cuidado. É que Karoly diz, ao Bancada, que isto é viciante. “É um jogo transversal a miúdos, jovens e pessoas mais velhas. Quem começa a jogar, depois não quer parar. Temos várias experiências disso pelo Mundo. Quando pomos uma mesa numa praça, por exemplo, as pessoas não querem parar”.

Afinal, isto é desporto ou não?

Considerando que apenas existe um fabricante oficial para as mesas de teqball, tivemos de fazer a pergunta de um milhão de euros: isto, afinal, já é um desporto ou é apenas uma marca?

Karoly não tem dúvidas. “O teqball, para mim, é desporto. É uma nova modalidade, inventada na Hungria”, dispara. Ao Bancada, este húngaro, há muitos anos em Portugal, garante que está a tentar que o nosso país seja pioneiro. O primeiro a ter uma Liga a sério.

“Já temos a Associação Portuguesa Teqball, que tem os direitos de fazer competições. Espero que Portugal seja o primeiro país com uma Liga parecida com as de futebol. Mais do que apenas torneios”.

Para isso, dizemos nós, é preciso que haja clubes. E já há. Não há clubes só de teqball, mas já há grandes clubes com mesas de teqball. “Há vários clubes que têm mesas. Queremos fazer uma liga de teqball, com etapas a cada duas semanas. Equipas com grandes nomes como Benfica, Sporting, Vitória de Guimarães e SC Braga já têm mesas. Pensamos divulgar com ex-jogadores conhecidos e que já não são profissionais. Quando perguntámos aos clubes, eles disseram ‘tudo bem’. Jogadores conhecidos será fácil de arranjar”, prevê.

Pelo que já se viu, não foi difícil arranjarem malta conhecida. Figo e Simão já se juntaram para defrontarem Gallas e Karembeu. 

Portugal pretende ser o primeiro a ter uma Liga de teqball e, se o conseguir, pode dar um passo de gigante para ser o principal especialista mundial neste desporto. É que, segundo Karoly Henczi, não há, por agora, um país que tenha, claramente, uma vantagem sobre os outros.

“Não tenho a certeza, mas penso que temos 35 países com teqball. Mas como o crescimento foi muito rápido, ainda não há países com grande vantagem. Se calhar há mais eventos em França”, analisa, acrescentando: “com esta prova que estou a planear para Portugal, em 2018/19, vamos dar um grande passo”.

Apesar de ainda não existirem campeonatos locais semelhantes aos de futebol, já existem algumas provas internacionais. Portugal tem estado em algumas. “Em alguns países, os jogadores até já rematam com força. Nós ainda estamos em evolução e divulgação. Ainda não há competições como a que eu quero fazer em Portugal. Mas lá fora já o World Stars Cup, o Beach World Cup e outras. Estamos a pensar fazer uma convocatória para representar Portugal em França, em outubro. Queremos levar os melhores”.

Ui, isso é carote…

Perdoe-nos a publicidade à marca, mas não seria justo fazermos este texto sem falar de questões práticas como preços, tipos de mesa e locais de compra. Karoly explicou-nos que, para já, a mesa só pode ser adquirida online e que vem com transporte. Preços? Não são baratos. Mas a marca está a trabalhar nisso.

Há dois tipos de mesa: uma dobrável (Teqball Smart) e uma não dobrável, de competição (Teqball One). As dobráveis rondam os 2500 euros, enquanto as mais baratas ficam por cerca de 2000 euros.

Os preços, justifica Karoly, têm em conta a versatilidade das mesas. “Podem estar na rua. Aguentam tudo, quer estejam no sol do Algarve ou no frio da Finlândia”. Ainda assim, o presidente da APTQ reconhece que o preço é elevado. “Estamos a ver a possibilidade de fazer mesas mais baratas. Para já, é apenas um plano, mas é queremos que venham a ter um preço abaixo de 1000 euros. Outro projeto é que as mesas sejam fabricadas no país onde têm representação. Em princípio, antes do fim do ano, as mesas mais baratas serão fabricadas em Portugal”.

A título de curiosidade: as mesas de teqball, como o próprio site oficial indica, podem ser utilizadas para teqvólei, teqpong e teqténis. O vólei, por exemplo, parece ser engraçado. Ora veja lá.

Os craques gostam disto

Fomos atrás desta nova modalidade em grande parte porque alguns craques mundiais lhe têm feito publicidade.

Simão e Figo, por exemplo, fizeram a tal dupla contra Gallas e Karembeu. Também Ronaldinho, Ricardo, Vítor Baía, Gullit, Pires, Carlos Alberto, Materazzi, Litmanen ou Anelka são alguns dos jogadores que assinam o apoio ao teqball e alguns até já publicaram vídeos e fotografias nas redes sociais.

Uma coisa é certa: o teqball, em Portugal, ainda é um bebé, mas um bebé que está a crescer rapidamente. Já fala e parece já conseguir comer sozinho.

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