Prolongamento
"Sou um viciado em recuperação", assume ex-jogador do Marítimo
2019-10-25 16:05:00
Régis Pitbull faz relato impressionante da luta contra a dependência do crack

Régis Pitbull, antigo avançado que represento o Marítimo na época de 1996/96, assumiu estar a lutar contra a dependência do crack (cocaína solidificada em cristais), depois de divulgado em vídeo em que surge a pedir dinheiro num autocarro.

"Se você ficou chocado quando leu 'Régis Pitbull pede esmola', pode segurar a emoção. Não sou um coitadinho, não preciso da pena de ninguém, não me arrependo do que fiz e do que sou. Sou um viciado em recuperação. Mas também sou mais que isso", explicou o antigo jogador (terminou a carreira em 2012), num testemunho publicado pelo portal UOL.

 Neste desabafo, Régis assume que procura libertar-se do vício, tarefa bem mais complicada do que livrar-se da marcação dos defesas adversários.

"Eu fico bem hoje com duas pedras de crack por dia, uma antes de dormir, outra depois de acordar. O que é muito menos do que usava há pouco tempo", confessou.

Para além do Marítimo, o ex-avançado representou vários clubes brasileiros (como os conhecidos Corinthians e Vasco da Gama) e ainda alguns emblemas da Turquia.

 

E foi no mundo do futebol que Régis, já então um viciado em drogas, experimentou pela primeira vez o crack.

"Quando você sai à noite com um jogador de futebol, há sempre uns 'negócios' envolvidos. O pessoal pensa que só os pobres usam drogas. No meu mundo, só havia patrões, jogadores, empresários, famosos... Toda a gente a usar e você acaba por querer curtir também. Quando voltava para casa tinha vontade de dar um 'continue' na vibe que tinha tido com eles . E eu sabia onde conseguir as coisas", lembrou.

"Maconha [haxixe] eu fumava desde sempre. Cocaína experimentei, mas não gostei. Quando parei de jogar, sozinho no meu apartamento, passava o dia todo a usar crack", a cocaína solidificada em cristais, acrescentou.

Como qualquer viciado, o então futebolista fazia o que fosse preciso para arranjar a 'dose'.

"Quando era difícil conseguir na favela, pegava no meu carro e ia à 'cracolândia'", assumiu.

A recuperação começou quando o avançado deixou de jogar. Então, já tinha vendido tudo, "roupa, telefone, camisolas dos clubes, ouro, o carro... tudo para comprar o 'bagulho'".

"Quando dá vontade, é difícil segurar. Mas eu nunca roubei, nunca usei na rua, o meu problema resolvo sozinho", frisou.

Com a ajuda dos amigos, Régis foi ganhando distância para a 'cacrolândia'. Um deles, Sandro, ajudou-o a conseguir um emprego como treinador numa escola de futebol para crianças.

"Ele tornou-se no meu irmão mais velho", contou o ex-futebolista, ele próprio convertido num 'irmão mais velho' para as crianças dessa escola, mostrando-se como exemplo do perigo das drogas.

"'Não quero que vocês sejam iguais a mim, quero que sejam melhores do que eu'", dizia Régis às crianças. "É o que também digo aos meus dois filhos adolescentes".

O ex-futebolista acabou por deixar esse trabalho e internou-se numa clínica de recuperação. 

 

"Esses meses na clínica ajudaram-me a entender melhor a doença, mas não quero mais contactos com médicos, psicólogos, nada. Os meus médicos serão os meus amigos e, com eles, vou ficar longe do crack", garantiu.

"Hoje, como bem, não passo necessidades. Mas moro sozinho e à noite dá aquele 'negócio', aquele desespero, a rua parece que te chama... Você já tem o 'bagulho' ali. E você dorme. E amanhã, para não ficar louco, já dá outro 'peguinha' para começar o dia. Mas minha ideia é 'zerar'. Tenho um milhão de defeitos e algumas qualidades. Tenho autoestima, sei que vou conseguir vencer", concluiu Régis Pitbull.