Prolongamento
No Name Boys detidos tinham informação sobre jornalistas, comentadores e não só
Redação
2020-06-25 11:55:00
Força de segurança confirma que atos de violência não tinham só como alvo adeptos de clubes rivais

Em conferência de imprensa no âmbito da ‘Operação Sem Rosto’, a Polícia de Segurança Pública (PSP) confirma que sete elementos da claque do Benfica No Name Boys foram detidos, sendo que um deles foi detido esta quinta-feira em flagrante delito.

De acordo com a PSP, esta investigação surgiu no abrigo do “combate e prevenção à violência no desporto” e que a mesma durou entre maio de 2019 até maio deste ano.

Segundo o comissário Bruno Almeida, estes crimes eram realizados nos recintos desportivos ou muito próximo deles, sendo que eles tinham só como alvo adeptos de clubes rivais.

“Estamos a falar de situações cometidas no estádio, quer por força de agressões entre adeptos ou contra agentes da autoridade, crimes de danos contra adeptos de outros clubes, incluindo de países que não são de Portugal”, explicou o comissário, revelando que também foram encontrados documentos sobre jornalistas, dirigentes de clubes e comentadores de televisão.

“Também foram levadas em conta ações planeadas pelos suspeitos com situações de conhecimentos prévios junto de moradas, viaturas e rotinas que lhes permitiam orquestrar e agredir adeptos rivais com violência ao ponto de os deixar inanimados e em risco de vida", acrescentou.

A PSP confirma que os crimes em questão vão desde homicídio de forma tentada, crimes de roubo a ofensa qualificada contra agentes de autoridade e outras pessoas com dimensões de perversidade, situações de dano e de furto.

Ao mesmo tempo, foi revelado que nas buscas domiciliárias aos membros da claque No Name Boys foram encontradas proteções que lhes permitiam camuflar a identidade dos envolvidos e artefactos à ligação clubística.

“Nas buscas às residências dos arguidos e a espaços que frequentavam foram encontrados objetos de natureza proibida: armas de fogo, facas, soqueiras, potes de fumo artesanais, balaclavas - proteções que lhe permitiram camuflar a identidade -, artefactos à ligação clubística e sprays utilizados para frases de intimidação e provocação”, comentou.

Sobre o ataque ao autocarro ao Benfica e aos atos de vandalismo às casas de Bruno Lage e vários jogadores do clube encarnado, a PSP não confirmou se os mesmos estão diretamente ligados a esta operação e, por consequência, aos sete detidos.

Os detidos serão apresentados na sexta-feira no Tribunal Criminal de Lisboa para conhecerem as medidas de coação.