Prolongamento
O Sporting vai jogar a Liga dos Campeões de Subbuteo no clássico 9x0x1
Sérgio Cavaleiro
2018-06-30 19:00:00
O Bancada quis saber mais sobre o pessoal que anda a representar Portugal nas grandes competições internacionais

Tire o cavalinho da chuva quem pensa que isto de jogar Subbuteo não exige preparo físico e uma grande dose de ginástica cerebral. Quando demos por nós estávamos já a levar uma tareia e ainda nem do meio-campo tínhamos passado. No entanto, e para nossa defesa, fomos meter-nos com Nuno Silva, ele é “apenas” um dos membros da seleção portuguesa que esteve no último Mundial da modalidade, o Campeão Nacional por equipas e um dos elementos da equipa do Sporting que vai participar na Liga dos Campeões de Subbuteo, a disputar-se em Palma de Maiorca, no próximo mês de outubro.

Entrámos no Núcleo Sportinguista de Sacavém para tentar perceber como é a vida de um jogador de Subbuteo, afinal de contas não é todos os dias que se participam em Campeonatos do Mundo e Ligas dos Campeões. A mesa de jogo estava montada no meio de um salão repleto de vitrines pejadas de troféus dos mais diversos tipos. As fotos de antigas glórias leoninas, que enchem as paredes, completam o cenário tão típico daquilo que é o imaginário de um núcleo que se quer digno do clube que representa. À nossa espera estava o diretor desportivo de Futebol de Mesa do Sporting, do Núcleo de Sacavém.

Para além de diretor, Nuno Silva é também um dos jogadores e fez questão de deixar bem claro que a visita do Bancada ao Futebol de Mesa do Núcleo do Sporting, não era sobre ele… era sobre a equipa. Ele estava ali a representar uma equipa que conta, por exemplo, com o Campeão do Mundo de Veteranos: Filipe Maia de seu nome, que é tipo o Cristiano Ronaldo do Subbuteo em Portugal, o homem tem já 17 títulos nacionais e internacionais. 

A equipa do Sporting que vai disputar a Liga dos Campeões. Em cima: Rui Varela, Miguel Faria, Nuno Silva, Nuno Afonso e Cláudio Garcia. Em baixo: Filipe Maia e Hugo Carvalho

Dito isto. Pusemo-nos à conversa por um bocado sempre com um olho na mesa. É que fica difícil resistir à tentação de fazer aquela viagem aos tempos de criança  - para quem era criança nos anos 80 e 90 - e fazer uma jogatana. O Subbuteo era, nesses tempos, a PlayStation dos dias de hoje, e era por um par de razões: primeiro porque era o que todos os miúdos pediam aos pais no Natal ou nos aniversários, e depois porque era um brinquedo caro. Para os que não tinham a possibilidade para o ter havia sempre as caricas… as velhas caricas.

Mas regressemos à nossa conversa com Nuno Silva e ao momento em que lhe pedimos para se deixar de explicações e para passar à ação. Demos por nós a desafiar um dos elementos da seleção portuguesa que participou no Mundial de Subbuteo de 2017, realizado em Paris, e membro da equipa, do Sporting, campeã nacional que vai disputar a Liga dos Campeões, em Palma de Maiorca, no próximo mês de outubro. O resultado, esse, foi desastroso. Para começar, iniciámos o jogo num 4x2x3x1, enquanto Nuno Silva colocou a sua equipa num “clássico” 9x0x1.

O Bancada de amarelo disposto num 4x2x3x1 não teve qualquer chance contra o 9x0x1 do Sporting

Conseguimos perceber, no meio de alguns golos sofridos e nenhum marcado, que é necessária uma extraordinária capacidade de coordenação física e mental para se jogar Subbuteo de competição. Desengane-se quem pensa que é apenas uma questão de mexer uns bonecos para um lado e para o outro. É preciso fazê-lo de forma coordenada - cumprindo as leis de jogo - e ao mesmo tempo sem perdas de tempo. Ou seja, existe uma grande componente estratégica na forma como vamos movendo os nossos jogadores, sem que, no entanto, exista muito tempo para o fazer. Foi um fartote de riso.

Depois da jogatana - e de termos sido colocados no nosso lugar - voltámos à conversa com Nuno Silva e tivemos de fazer a pergunta: então, mas quem é que paga tudo isto? As viagens dos sete elementos da equipa que vai disputar a Liga dos Campeões, por exemplo, quem é que vai suportar com os custos?

“Para já somos nós, os jogadores, mas estou convencido que com maior ou menor dificuldade vamos conseguir arranjar alguns apoios. Até porque este ano é primeira vez que vamos competir na Liga dos Campeões, um núcleo que tem cerca de dez meses de existência e já somos campeões nacionais, ganhámos o GP de Portugal que se realizou no Belenenses, fomos à Liga Espanhola e ficámos em segundo lugar, em 13 equipas, portanto pode-se considerar que foi uma boa época de arranque para uma equipa que tem pouco tempo.

E depois estando no Sporting, estou convencido que a grande massa de adeptos que o clube tem, e muitos deles grandes apoiantes das modalidades do clube, que são capazes de nos ajudar na nossa deslocação, portanto, irá ser feita uma campanha de angariação de verbas para podermos ir à Liga dos Campeões e estamos a contar que os sportinguistas não nos deixem na mão e nos ajudem a ir representar o clube - pelo menos para minimizar as nossas despesas que ainda são avultadas.”

Nuno Silva com a taça de subcampeão em equipas da Liga Espanhola (esquerda), o Grand Prix de Portugal (meio) e a Taça de Campeão Nacional em equipas (direita)

Nuno Silva não é o único elemento da sua família a jogar Subbuteo a nível oficial. A filha mais nova, com 12 anos, é também uma entusiasta da modalidade e também participou no Mundial de 2017, em Paris, na categoria dos sub-12 e está já convocada para representar Portugal no próximo Campeonato do Mundo a disputar-se no primeiro fim-de-semana de setembro, em Gibraltar.

“Ela já recebeu a convocatória para o Mundial de Gibraltar eu ainda não sei se vou. Isto é conforme o ranking e depende da disponibilidade de cada um. Para já, os convocados do Sporting para o Mundial são: para a categoria de Open vai o Filipe Maia, para o Veteranos vai o Nuno Afonso e para os Femininos vai então a Maria João Silva (filha de Nuno Silva), que tem 12 anos.”

Uma das funções de Nuno Silva como diretor desportivo da secção, é arranjar maneiras de financiar a modalidade e suportar os custos inerentes às deslocações da equipa e ideias não lhe faltam. Nuno pensou num sistema de patrocínios e pede apenas 20 euros, por ano, a quem se queira associar à equipa de Futebol de Mesa do Sporting.

A verdade é que a equipa está pronta para os desafios que se adivinham, mesmo que os adversários que vão encontrar na Liga dos Campeões sejam de outro nível. Perguntámos ao Nuno se já conhece os possíveis oponentes que vão encontrar em Palma de Maiorca porque queríamos saber se existe algum tipo de preparação especial de acordo com o adversário, no fundo queríamos saber se existem estilos de jogo distintos, Nuno Silva foi bastante claro: “Olha, o meu estilo é sofrer o menor número de golos possível.”

Foi assim, bem dispostos que deixámos o Nuno Silva regressar aos treinos, desejámos-lhe a ele e a toda a equipa as maiores das felicidades e prometemos que vamos acompanhar os feitos desta equipa que vai representar o Futebol de Mesa português entre a elite mundial e europeia.

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