Prolongamento
O império Ledman: o gigante chinês que dá nome à Segunda Liga portuguesa
Gomes Ferreira
2018-04-01 21:25:00
Conheça melhor quem é o principal patrocinador da Segunda Liga que está a apostar forte no futebol, e não só em Portugal

A Ledman Group, multinacional chinesa de alta tecnologia, que pagou quatro milhões de euros à Liga pelo "naming" do campeonato do segundo escalão até ao final da temporada 2018/19, está cada vez mais metida no mundo do futebol, com vários negócios espalhados pelos mais diversos continentes, nomeadamente a nível de clubes. Depois da China e da Austrália, agora mais recentemente o Brasil. E pelo meio Portugal, onde permancerá pelo menos até 2018/19, que é o tempo de duração do contrato com a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP). Bancada traz-lhe a conhecer este grupo financeiro e o homem que está por trás dele, Martin Lee, que assinou com Pedro Proença o protocolo com a Liga e foi convidado especial no último sorteio dos campeonatos profissionais.

Mas o que é, afinal, a Ledman? A Ledman Group é uma multinacional chinesa, com a sede na cidade de Shenzhen, a quarta maior cidade do país, perto de Macau e Hong Kong, que produz desde lâmpadas economizadoras a ecrãs gigantes e painéis publicitários, utilizando a tecnologia LED, tendo sido escolhida, por exemplo, para equipar a praça Tiananmen, em Pequim, aquando dos festejos do 60.º aniversário da fundação da República Popular da China. A empresa criada por Martin Lee em 2004 (o mesmo que assinou com Pedro Proença o contrato com a Liga por quatro anos e meio pelo 'naming' do segundo escalão), está em bolsa desde 2011 e patrocina as duas ligas profissionais chinesas e tem uma participação na Infront Sports & Media, empresa suíça que detém direitos de transmissão de jogos do Mundial de futebol.

Nos últimos dias, a Ledman deu mais um sinal da expansão dos seus negócios no desporto rei ao adquirir os direitos desportivos do Nacional de Manaus, no Brasil, um clube a atuar na Série D (quarta divisão) brasileira e que jioga num dos 'elefantes brancos' do Mundial 2014, o Estádio de Manaus, com 44 mil lugares. Antes, a Ledman já tinha fechado uma parceria com o Grêmio Osasco, de São Paulo, e no presente está em negociações para assumir o patrocínio principal na camisola do Cruzeiro de Minas Gerais. 

Um tipo de investimento que não encerra novidade para o grupo, que já tinha realizado negócios deste género na Oceânia onde adquiriu 100 por cento das ações do Newcastle Jets, da liga australiana. Para além de ainda possuir na quarta maior cidade da China, um clube, o Shenzhen Ledman, que disputa a terceira divisão local, e possuir diversos tipos de investimentos noutras áreas naquele país asiático. O objetivo no futebol é sempre o mesmo, promover o intercâmbio entre a China e os países onde são estabelecidos acordos.

A chegada ao futebol português não foi, contudo, pacífica. O acordo da Ledman com a Liga, que começou a vigorar a partir da época 2016/17, foi anunciado em Pequim (ver foto abaixo), onde Pedro Proença, então novel presidente da Liga, foi procurar solução para o "problema de sustentabilidade" do campeonato do segundo escalão, que não tinha patrocinador.

O empresário Martin Lee, fundador e presidente da Ledman, revelou na altura, em  conferência de imprensa, que os dez melhores clubes da 2ª Liga portuguesa passariam a receber todos os anos um jogador chinês, referindo-se ainda a uma "taxa de utilização" desses futebolistas pelas equipas. Situação que provocou a pronta reação de Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores. "Não compreendemos como é que a Liga aceita que um grupo económico que imponha jogadores aos clubes e aos treinadores, correndo o risco de colocar em causa a própria verdade desportiva", disse então o líder do Sindicato. Entretanto, o comunicado foi alterado no site da Ledman, caindo a menção à obrigatoriedade da utilização de chineses, até porque as referidas cláusulas eram ilegais à luz dos regulamentos FIFA, que proíbem a ingerência de terceiros nas contas e gestão dos plantéis dos clubes

Aquando do sorteio dos campeonatos para esta temporada, Martin Lee, fundador do Ledman Group, numa das raras aparições que faz por Portugal, mostrou-se satisfeito com o investimento e cada vez mais convicto do "modelo de negócio" com o qual pretende fazer crescer o nome da marca e o futebol chinês. Nessa viagem de dois dias a Portugal, Martin Lee aproveitou, aliás, para além de assistir ao sorteio das ligas profissionais para formalizar um contrato com a Académica, que prevê o desenvolvimento do futebol juvenil e a mudança do nome da Academia Briosa XXI para Acedemia Ledman, válido por cinco anos, acordo esse que estabelece "um intercâmbio de jogadores e de treinadores da formação que poderão ir para a China trabalhar em academias da Ledman", explicou Pedro Roxo, presidente do clube.

O diretor executivo do grupo Ledman, Martin Lee, salientou por sua vez que a intenção era "ter um parceiro estratégico na II Liga de Portugal e a Académica é o clube certo". "[A Académica] tem uma história muito longa, boas condições de treino e o que a Ledman pretende é desenvolver jogadores chineses e ter a oportunidade de abrir o mercado chinês e australiano para os jogadores portugueses", disse o responsável, citado no comunicado da Académica. "A curto prazo, continuaremos concentrados em Portugal. Daqui a dois ou três anos, não sei. Mas, por agora, será Portugal.", disse Lee para quem o horizonte pode não se limitar à 2ª Liga. O primeiro escalão continua na agenda da multinacional chinesa.

   Conferência de Imprensa em Pequim onde Pedro Proença e Martin Lee selaram o acordo de parceria até 2019 (Foto Facebook)
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