Prolongamento
“Mensagem sobre o Benfica não foi investigada, mas o mensageiro está preso"
2020-01-14 12:20:00
Sousa Tavares critica preventiva de Rui Pinto: "O que ele tem deve ser altamente comprometedor para gente importante"

No comentário semanal no Jornal da Noite, na TVI, nesta segunda-feira, Miguel Sousa Tavares analisou a lteração da qualificação jurídica dos crimes imputados a Rui Pinto.

Apesar de a juíza de instrução criminal ter alterado 68 crimes de acesso ilegítimo, o comentador não acredita que o arguido saia beneficiado.

“Não acredito, não acredito nisso. Acho que a juíza vai acusá-lo de todos os 147 crimes que o Ministério Público propõe, acho que o vai manter em prisão preventiva, nem outra coisa faria sentido depois de o ter mantido durante 10 meses em prisão preventiva”, defendeu.

Miguel Sousa Tavares diz-se “perplexo” e não altera esse sentimento. “A maior de todas as perplexidades é como é que se mantém em prisão preventiva durante 10 meses alguém cujo crime maior de que é acusado só tem uma pena correspondente a cinco anos de prisão, que é o crime de tentativa de extorsão” diz.

O perigo de continuidade de atividade criminosa “não pode pesar na decisão eternamente”, de acordo com Sousa Tavares.

“Todos os criminosos, ou supostamente criminosos, podem continuar a sua atividade criminosa, mesmo que sejam condenados e cumpram a pena. Depois, podem continuar. Em Portugal, não existe prisão perpétua…”, aponta ainda.

O comentador lamenta que Rui Pinto “continue a ser tratado como um criminoso”.

“A mensagem que ele deu, uma mensagem relativamente ao Benfica e não só, que envolve atos criminais, não foi investigada, mas o mensageiro está preso. Deixou-se passar a mensagem e prendeu-se o mensageiro. Não consigo perceber”, critica.

Segundo Miguel Sousa Tavares, Rui Pinto está preso “porque não colabora”, apesar de reclamar o estatuto de denunciante.

“Se ele tivesse colaborado, se calhar já estava em liberdade. O que ele tem ali dentro [nos discos rígidos apreendidos pela PJ] deve ser altamente comprometedor para gente muito importante neste país e não só. Tão importante que ele continua preso. E esta para mim é a minha desconfiança, tornada legítima pela perplexidade como ele tem sido tratada”, conclui.