Prolongamento
“Estou muito preocupado com o que vi”, reage advogado de Rui Pinto
Mauro
2020-04-17 18:50:00
Alegados comentários nas redes sociais deixam causídico apreensivo

O advogado de Rui Pinto, Teixeira da Mota, mostra-se preocupado com comentários nas redes sociais, alegadamente feitos por Paulo Registo, eleito juiz do processo ‘Football Leaks’, que terá interagido em publicações que chamavam “pirata” a Rui Pinto e “heroína” a Ana Gomes, ex-eurodeputada e ativista anticorrupção.

“Estou muito preocupado com o que vi”, afirmou Teixeira da Mota à Tribuna Expresso, recusando aprofundar este assunto, mas garantindo que o mesmo será debatido com os restantes colegas de defesa de Rui Pinto.

Contactado pela Tribuna Expresso, Paulo Registo não quis tecer comentários sobre o episódio.

Outras publicações também nas redes sociais apontam que o juiz terá dito, após um Benfica-FC Porto, que “estamos de volta ao tempo da fruta e do apito dourado”.

O processo do criador do Football Leaks e autor das revelações do Luanda Leaks, recorde-se, foi distribuído para julgamento a Paulo Registo, do Tribunal Central Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça.

O magistrado será o presidente do coletivo composto também pelas juízas Ana Paula Conceição e Helena Leitão, não havendo ainda data para o início do julgamento, no qual Rui Pinto vai responder por 90 crimes.

Esta sexta-feira, Ana Gomes criticou, na sua conta do Twitter, o sorteio dos juizes para este processo, referindo que “entram só fãs do Benfica para julgamentos como o E-toupeira e o de Rui Pinto”.

O Conselho Superior de Magistratura optou por não comentar esta questão, invocando que a matéria “pode ser invocada quer pelo arguido quer pelo Ministério Público nos próprios autos”.

Rui Pinto, que estava em prisão preventiva desde 22 de março de 2019, foi colocado em prisão domiciliária em 08 de abril, mas em habitações disponibilizadas pela Polícia Judiciária e sem acesso à internet, com o despacho da juíza de instrução criminal Cláudia Pina a justificar que o arguido apresenta “agora um sentido crítico e uma disponibilidade para colaborar com a justiça”.