Prolongamento
“Sinto-me muito mais valorizado e respeitado no estrangeiro”, diz Paulo Fonseca
2019-05-17 10:15:00
Treinador português diz que “é praticamente impossível fazer melhor” no Shakhtar Donetsk

A conquista da terceira Taça da Ucrânia e o iminente ‘tri’ no campeonato em três épocas no futebol ucraniano levam o treinador português Paulo Fonseca a admitir que “é praticamente impossível fazer melhor” no Shakhtar Donetsk.

Em entrevista à Lusa, o técnico, de 46 anos, salienta o “sentimento de satisfação enorme” pelo reconhecimento do trabalho por via dos títulos, enfatizando o peso das circunstâncias adversas que recaem sobre o clube, ‘exilado’ desde 2014 em Kharkiv, longe dos seus adeptos, devido ao conflito com separatistas pró-Rússia na região de Donetsk.

 “É preciso não esquecer que quando chegámos aqui o clube não vencia há dois anos, desde que saíram de Donetsk. Ganhar nestas circunstâncias tem, efetivamente, um sabor especial, porque têm sido circunstâncias muito difíceis. E isso é algo muito gratificante. Sinceramente, acho que é praticamente impossível fazer melhor. Pode fazer-se igual, mas melhor acho que é, neste momento, impossível aqui no Shakhtar”, afirma.

O triunfo na quarta-feira na final da Taça da Ucrânia, por 4-0, sobre o Inhulets, da segunda divisão, representou até a quarta conquista seguida para o técnico, se for somada a Taça de Portugal alcançada ao leme do Sporting de Braga em 2015/16, a última época em que treinou em solo nacional. Por outro lado, o trio de taças já alcançadas a leste fizeram de Paulo Fonseca o primeiro treinador português a vencer três taças num país estrangeiro de forma ininterrupta.

“Em três anos conquistarmos as três taças e termos a possibilidade de conquistarmos os três campeonatos é um feito que me deixa muito orgulhoso”, confessa, acrescentando: “É sempre bom fazermos algo que ainda não foi feito. É para isto que trabalhamos, para vencer. O que sei neste momento é que o clube é vencedor. Isso é algo que ninguém vai poder tirar da história”.

Paulo Fonseca garante também não estar preocupado com a ideia de deixar “um legado” no clube, depois de ele próprio ter assumido o comando da equipa na sequência de um percurso de 12 anos do treinador romeno Mircea Lucescu. Com contrato por mais uma temporada, o técnico não descarta uma saída neste verão, depois de o seu nome ter sido apontado na imprensa desportiva como um possível alvo da Roma e de clubes da Premier League inglesa.

 “Vamos ver. Tenho mais um ano de contrato e é preciso analisar aquilo que poderá ser a minha carreira em termos futuros. Todas estas coisas têm de ser pensadas e pesadas para se tomar uma decisão”, explica, vincando o seu desejo para o futuro: “É minha ambição – e acredito que isso vai acontecer, mais dia, menos dia – chegar a um dos melhores campeonatos europeus. Se vai ser já, não sei. Com certeza não ficarei 12 anos no Shakhtar”.

“Já assumi que regressar a Portugal não faz parte dos meus objetivos nos próximos tempos. Sinto-me muito mais valorizado e respeitado no estrangeiro, por isso acredito que posso fazer a minha carreira fora do nosso país”, refere.

Com passagens por 1.º Dezembro, Odivelas, Pinhalnovense, Desportivo das Aves, Paços de Ferreira, FC Porto, Sporting de Braga e Shakhtar Donetsk, Paulo Fonseca conta já no palmarés com duas Ligas, três Taças e uma Supertaça da Ucrânia, além de uma Taça de Portugal nos bracarenses e uma Supertaça Cândido de Oliveira pelos ‘dragões’.

O nono título pode chegar já no fim de semana, se confirmar o ‘tri’ no campeonato, em que tem 11 pontos de vantagem sobre o rival Dínamo de Kiev, com apenas 12 por disputar.

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