Prolongamento
Ana Gomes volta a atacar Vieira e lembra o passado do presidente do Benfica
2019-08-14 12:50:00
“Há uns tempos, Vieira disse que me processava por eu ter dito o óbvio: que ele era um delinquente”, diz a socialista

Em entrevista à Rádio Observador, no programa Direto ao Assunto, Ana Gomes voltou a apontar na direção de Luís Filipe Vieira, comentando o passado do presidente do Benfica, reiterando suspeitas sobre a venda do passe de João Félix e manifestando-se pró-ativa no combate à corrupção, em particular no futebol.

O Benfica já ameaçou que vai avançar com um processo contra a socialista, depois de um comentário no Twitter, onde Ana Gomes questionou se a transferência do avançado para o Atlético não seria um “negócio de lavandaria”.

“Estou aqui sentadinha à espera”, ironiza a ex-eurodeputada, lembrando que esta não é a primeira vez que estas ameaças surgem.

“Há uns tempos, Luís Filipe Vieira tinha dito que me processava por eu ter dito o óbvio: que ele era um delinquente. É um facto comprovado. Luís Filipe Vieira foi julgado e condenado pelo roubo de um camião. Há uma sentença”, acusou, nesta entrevista.

Refira-se que o Benfica já reagiu a esta declaração e garantiu que os processos estão em curso.

Relativamente a João Félix, e confrontada com o negócio que envolveu a transferência para o Atlético Madrid, Ana Gomes repete as anteriores acusações.

“Quando, na imprensa de referência, surgem indicações desses contratos que são obviamente mistificações e esquemas de fraude fiscal e criminalidade, decidi atuar. Quando acontece este negócio, toda a gente se questionou como aconteceu”, aponta.

Sobre a suspeição de se tratar de “um negócio de lavandaria”, a eurodeputada entende que fez “a pergunta óbvia”, perante “um jornalista que descrevia questões pertinentes sobre esse negócio”.

Ana Gomes generaliza e fala de “organizações criminosas que usam processos legais para branquear dinheiro”.

A ex-eurodeputada sustenta ainda que o presidente do Benfica é arguido no processo Lex, que envolve dois juízes portugueses: “E isto é altamente gravoso, do nível de corrupção a que chegou o aparelho de Estado, incluindo o próprio aparelho da Justiça”.

Para a socialista, o Estado e a Justiça em Portugal apresentam “qualquer coisa de gravemente disfuncional”, pelo que “temos de olhar para o combate à corrupção com outros olhos” e “não podemos continuar a pensar que somos um país de brandos costumes e um jardim à beira mal plantado”.

Ainda sobre o “negócio de lavandaria”, Ana Gomes foi confrontada com a reação do Benfica, que pediu explicações ao PS e quis saber se o partido se revia naquelas posições.

“Não me surpreendeu, infelizmente, sobretudo pela pessoa em causa [Carlos César]. Não sei se António Costa teve algo que ver com isso. Não me surpreende porque Carlos César é bastante económico com a verdade para ser diplomata”, acusa.

Sobre Rui Pinto, Ana Gomes reitera o discurso e lamenta que a Justiça se mostre ativa na queixa apresentada pela Doyen e “desvalorize o manancial de informação” recolhido pelo alegado hacker.

“Rui Pinto é um whistleblower, um denunciante. Não quer dizer que não possa ter cometido crimes pelos quais possa ser julgado. Mas é insustentável que a magistratura e a justiça portuguesa desvalorizem o manancial de informação extraordinário que ele pôs cá fora, através do Football Leaks, que não está a ser usado pela justiça para ir atrás dos corruptos e dos criminosos”, lamentou.

“No caso de Rui Pinto, há aspetos que me preocupam imenso. Temos a justiça portuguesa ir atrás de uma queixa da Doyen? O que é que é a Doyen?! Um fundo de investimento que nem sequer paga impostos em Portugal, porque está sediado em Malta e que, tudo indica, é uma organização criminosa com ligações ao Cazaquistão? A Justiça portuguesa ao serviço da Doyen? Eu sei hoje que ouve elementos da PJ que andaram atrás de magistrados a ir atrás da Doyen. Isto é muito estranho”, afirma.

A socialista faz uma viagem ao passado e lembra que desde sempre se interessou pelo combate à corrupção.

“Quando Ferro Rodrigues me convidou para a vida política ativa, em 2003, tive nessa altura a perceção e estava a ficar assustada com a predominância do futebol e o que isto implicava de promiscuidade entre negócios e atividade dita desportiva. E não é nada comparado com o que hoje se vê”, começou por dizer.

Ana Gomes recorda que nessa altura havia “os gabirus do futebol que se gabavam de não pagar impostos”. Mais tarde, prossegue, “surgem as escutas do Apito Dourado”.

“Dirigentes do PS falavam com esses dirigentes do futebol e eles sentiam-se muito incomodados com o que eu dizia. Os do futebol, nessa altura, era um tal de Lourenço Pinto, Valentim Loureiro… Eu não sei nada de futebol, não me interesso e não tenho clube de futebol”, revela.

Entretanto, o fenómeno da corrupção no desporto ganhou uma dimensão superior: “Há uma verdadeira captura dos Estados, dos Governos, da política, da economia, que não é só aqui, é a nível global. Vimos isso nas revelações do Football Leaks”.

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