Prolongamento
Akwá diz que chorou por "injustiças" e não para comover os angolanos
2019-08-01 09:20:00
Está há mais de dez anos suspenso e impedido de exercer qualquer função a nível do desporto federado

O ex-internacional angolano “Akwá” assegurou hoje que "não está a mendigar" e que chorou recentemente durante um programa televisivo devido às "injustiças" de que diz ser alvo e "não para comover" o povo angolano.

"Não somos de ferro e eu nem pensei em chorar para comover quem quer que seja, ou o povo angolano, chorei pelas injustiças. Pensei em todo o sacrifício que fiz em prol do país e que não valeu a pena”, afirmou, em entrevista à Lusa, em Luanda.

"Bem, quando estás a ser injustiçado fazes assim uma análise do trajeto, eu sou o único jogador em Angola que chegou num jogo a decorrer, equipei-me e joguei porque precisávamos ganhar", recordou.

Fabrice Alcibíades Maieco “Akwá”, com registo de 40 golos pela seleção de futebol angolana, está há mais de dez anos suspenso e impedido de exercer qualquer função a nível do desporto federado, por decisão da FIFA, devido a uma multa de 260 mil dólares ao Qatar SC, onde jogou entre 2005 e 2006, por ausência, fora do prazo legal, numa altura em que representava a seleção, conhecida como "Palancas Negras".

O assunto do antigo jogador do Benfica, Alverca e da Académica, na década de 1990, foi abordado recentemente num programa televisivo, na capital angolana, em o ex-capitão da seleção chorou.

A situação deu origem, inicialmente, nas redes, sociais a uma "onda de solidariedade" a favor do antigo goleador de 42 anos com promoção de campanhas de angariação de fundos para liquidar a dívida de "Akwá".

À Lusa, o autor o golo que qualificou Angola pela primeira vez a fase final de um campeonato do mundo, em 2006 na Alemanha, agradeceu "do fundo do coração aos promotores da campanha”, afirmando que “nunca quis que assim fosse".

Questionado sobre se o facto de ter chorado tem a ver com a sua situação financeira, o ex-internacional garantiu que "não está a passar fome".

"Não estou a mendigar, estou bem e muito antes dessa polémica não viram o “Akwa” a pedir qualquer ajuda porque estava a passar fome", disse.

O também ex-deputado do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder) contou que, na ocasião, um político angolano o abordou e assegurou "ter já baixado ordens" à Federação Angolana de Futebol (FAF) “para resolver” a sua situação.

Numa entrevista recente a uma rádio local, “Akwa” lamentou que a situação ainda não tenha sido resolvida, referindo que, na época, reuniu-se com o então coordenador das seleções nacionais da FAF, Alves Simões, atualmente presidente da equipa do Interclube de Angola.

"E reuni-me duas vezes com a pessoa em questão (Alves Simões) e quando fui atrás das coordenadas bancárias, nada", reiterou à Lusa.

Em 16 deste mês, Alves Simões refutou, em conferência de imprensa, as declarações de "Akwá", sobre o suposto desvio dos 260 mil dólares para pagamento da dívida aplicada pela FIFA, prometendo levar a tribunal o antigo camisola 10 dos "Palancas Negras".

Questionado pela Lusa sobre a possibilidade de responder em tribunal, "Akwá" garantiu estar tranquilo e que não retira “nenhuma palavra".

Sobre o assunto, Fabrice Alcibíades Maieco recusa falar sobre má-fé das autoridades da FAF em solucionarem a questão, afirmando que "faltou boa vontade por parte das pessoas que estavam a dirigir a federação".

"Akwá" desafiou também o antigo secretário-geral da FAF Augusto da Silva Alvarito a convocar uma conferência de imprensa para explicar as "acusações levianas" que fez nas redes sociais de que o jogador "terá ido passear a Benguela durante 13 dias" quando deveria se apresentar ao Qatar SC.

O antigo futebolista, que jogou 11 anos ao serviço da seleção angolana, disse que já tentou abordar o assunto com o ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, mas mesmo “com três audiências marcadas” nunca foi recebido.

O antigo jogador espera agora ser recebido pelo Presidente angolano, João Lourenço, aguardando pela resposta de uma carta enviada em dezembro de 2018.

Participa na Liga NOS Virtual
RealFevr
Liga Bancada

Criar equipa
Tags: