Prolongamento
“Única pessoa que colabora com a justiça pode vir a ser a única que é condenada"
2020-05-30 14:05:00
Diretor nacional da PJ deixa um alerta em relação ao caso Rui Pinto

O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, pensa que o sistema judicial português está desadequado comparativamente aos países europeus.

Em entrevista ao Diário de Notícias, o diretor indica que este acervo legislativo em vigor há anos, publicado pelo primeiro-ministro e, na altura, ministro da Justiça, António Costa e assume que este não é o momento de “cinismo e hiprocrisia”.

Ao mesmo tempo, Luís Neves fala sobre o caso Rui Pinto, criador do Football Leaks, e alerta para o facto de a única pessoa a colaborar, neste momento, com a Justiça, poder ser condenada.

“O nosso sistema processual penal pode levar a que a única pessoa que colabora com a justiça possa vir a ser a única que é condenada. Isto é muito negativo e desincentiva todos os outros que possam ter a intenção colaborativa para com a justiça. Isso é terrível para um magistrado, mas sobretudo para nós, polícias, porque somos nós que lidamos com as pessoas durante muito tempo”, afirma o diretor.

Revelando, na mesma entrevista, que Rui Pinto ajudou a desencriptar todos os discos rígidos, Luís Neves fala sobre como se deve conduzir a este tipo de inquéritos.

Para o diretor, o arguido ou acusado tem de saber, desde o primeiro momento, como é que a justiça o vai tratar.

“Para um inquérito sólido e não demasiado moroso, a pessoa que se predispõe a colaborar com a justiça deve saber desde logo como é que a justiça o vai tratar. Temos de encontrar um modelo em que seja possível garantir algo”, salientou.

Acrescentando que “há direitos, liberdades e garantias de terceiros que importa salvaguardar”, Luís Neves refere que as entidades policiais e judiciais precisam de uma figura que lhes permita chegar a outros patamares de trabalho e investigação.

“Se não tivermos alguém em quem possamos apoiar-nos, não conseguimos chegar em tempo útil a determinados patamares das organizações criminosas”, concluiu.