Portugal
Vitória de Setúbal-Benfica, um jogo candidato a um recorde
2018-12-08 22:50:00
O jogo foi tão fraco, em termos de futebol, que poucos guardarão saudades do que se passou no Bonfim.

43 faltas. Muitos passes errados. Pouco futebol. E “pouco” é um eufemismo. Foi assim o Vitória de Setúbal-Benfica, deste sábado, que permitiu aos encarnados subir, à condição, ao terceiro lugar da Liga Portuguesa. Valeu São Jonas, uma vez mais, num jogo que, para nós, é candidato ao top dos piores jogos deste campeonato, tal foi a falta de futebol e excesso de paragens (culpa das três equipas). Apesar do pouco futebol, é difícil dizer que o Benfica não mereceu vencer. Mereceu, pelo menos pelo número de oportunidades de golo. Ainda assim, os encarnados puseram-se a jeito, quer pelo pouco futebol quer pela atitude e postura adotadas na segunda parte. Já lá vamos.

Antes, importa explicar que este jogo começou por trazer uma dinâmica interessante: na última temporada, o triângulo entre Grimaldo, Cervi e Krovinovic/Zivkovic era a principal dinâmica coletiva trabalhada no Benfica. Rui Vitória quis desfazê-la, para 2018/19, mas, no Bonfim, houve um pouco disso entre Grimaldo, Zivkovic (bom jogo) e Gedson. Uma dessas três combinações resultou em golo de Jonas, logo aos 18 minutos. Inexplicavelmente, os encarnados deixaram de apostar nessas jogadas pela esquerda, deixando de aproveitar o facto de os jogadores do Vitória estarem a pressionar de forma anárquica – focados no homem da bola –, chegando sempre atrasados aos lances. Era ali que estava o ouro.

O Benfica deixou de jogar e o Vitória, também pouco capaz de criar com qualidade, colaborou para um dos piores jogos da temporada. Foi curioso ver que o melhor jogador do Benfica foi Jonas, sobretudo porque o brasileiro... ignorou as indicações que Rui Vitória lhe deu. O técnico disse, antes da partida, que queria Jonas menos móvel, na área, focando-se mais em finalizar e menos em trabalhar e criar. Hoje, Jonas andou por todo o lado: jogou muito bem em apoios frontais, caiu nas alas e até bolas em profundidade chegou a pedir. E não fosse esta capacidade do brasileiro – ao contrário do que pede Rui Vitória – e o futebol do Benfica teria sido ainda mais nulo.

Já na segunda parte, chegou até a ser algo bizarro ver a forma como Jonas andou a pressionar sozinho a primeira fase de construção do Vitória, havendo um Benfica com duas linhas muito baixas e Jonas, como uma ilha, a tentar – apenas a tentar – “chatear” os jogadores do Vitória. Sem efeito, claro.

Apesar das oportunidades já desperdiçadas por Rafa, Gedson e Zivkovic, o Benfica “colocou-se a jeito”, tal foi a forma como baixou as linhas e permitiu ao Vitória construir com tempo e espaço. A sorte dos encarnados é que a qualidade não foi muita, do lado contrário e, com faltas, paragens e confusões, lá passaram os minutos.

E ainda bem que passaram: é que o jogo foi tão fraco, em termos de futebol, que poucos guardarão saudades do que se passou no Bonfim.

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