Portugal
Vendas na defesa vão dar “muito trabalho” a Rui Vitória
2017-06-12 22:20:00
Álvaro acredita que o Benfica tem de ir ao mercado para suprimir as saídas confirmadas e... as que se podem seguir

As saídas de Victor Lindelöf e Ederson do Benfica - e as que se podem seguir, com muita especulação em torno do futuro de Grimaldo e Nélson Semedo – irão, certamente, provocar baixas de peso na defesa encarnada para a próxima temporada. Dessa forma, construir um novo setor defensivo com a eficácia das últimas épocas poderá ser “um problema” para Rui Vitória, segundo defende Álvaro Magalhães uma das referências defensivas dos encarnados nos anos 80.

Álvaro atuou durante nove temporadas na Luz, entre 1981 e 1990, afirmando-se como defesa esquerdo titular das águias anos a fio. Durante essas temporadas, entre saídas e entradas, viu passar pelo Benfica muitos defesas, assim como assistiu a várias reformulações do setor recuado. Algo que admite prejudicar o entrosamento entre os jogadores. “A saída de jogadores é um problema, porque existe um entrosamento e são muitos jogadores a sair. Quando sai um jogador não há grandes diferenças, mas quando são muitos…”, explica ao Bancada.

“O Benfica tem boas opções, de qualidade, que podem preencher algumas posições. Mas se saírem quatro é mais complicado. Não há dúvida que não é fácil para um treinador perder tantos jogadores”, defende o treinador que na última época esteve ao serviço do Gil Vicente. Ainda assim, Álvaro Magalhães relembra que, num passado recente, Vitória já demonstrou ser capaz de dar a volta a várias ausências, com a mesma eficácia. “No ano passado, quando o Benfica fazia alguma mudança de jogadores na defesa, que chegou a acontecer com os dois centrais, a equipa manteve-se sempre coesa e compacta e não houve grande problema”, frisa.

Para Álvaro Magalhães a principal dificuldade pode estar nas laterais, onde vê Nélson Semedo como um jogador difícil de substituir. “Os laterais são jogadores com características diferentes. Se os laterais também saírem, o Rui Vitória vai ter muito trabalho para refazer a defesa. Penso que, caso saia, o Nélson Semedo vai ser a maior baixa. É preciso ir contratar um jogador com as características dele. Um lateral tem de saber defender e atacar e, neste momento, não vejo ninguém no plantel que faça isso”, defende o antigo internacional português, que não vê soluções na formação para preencher essas vagas.

Depois, há a questão da baliza, onde Álvaro Magalhães elogia o papel desenvolvido por Ederson: “Muitas vezes era o líbero da equipa, sabia quando os colegas falhavam e era muito rápido a sair da baliza. Era uma peça fundamental na forma como funcionava a defesa. Poderá fazer muita falta, tendo em conta a maneira como a defesa jogava”.

Liderança de Luisão dá ajuda

Apesar de a saída de um central já estar confirmada, a de Lindelöf para o Manchester United, Álvaro Magalhães olha para o eixo defensivo com maior segurança. “O Lisandro e o Jardel são jogadores com muita qualidade e experiência, preenchem bem a posição. Depois, há ainda o Kalaica, que não é mau jogador, tendo apenas de se adaptar à maneira de trabalhar da equipa e do treinador”, salienta.

Contudo, a juntar ao reforço das laterais Álvaro pensa que poderá chegar mais um central à Luz. “Talvez possa contratar mais um jogador com alguma experiência para esta posição. Há que ter atenção que o Luisão já tem alguma idade”, lembra o antigo adjunto de Trapattoni, que esteve na conquista do título encarnado de 2003/04, quando o central brasileiro já jogava de águia ao peito.

“É a liderança que faz a diferença: o Luisão é o treinador de campo, que pela personalidade e experiência consegue orientar os colegas. É esse o ponto forte do Luisão. Já não tem a velocidade de há 20 anos, mas usa muito a experiência e sentido de posicionamento para ajudar a uma boa orientação dos companheiros da defesa”, explica Álvaro Magalhães ao nosso site.

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