Portugal
Treinadores holandeses em Portugal é sinónimo de títulos
Gomes Ferreira
2018-11-08 16:00:00
Adriaanse, Koeman e Van der Gaag são os únicos holandeses que treinaram em Portugal e nenhum saiu sem ganhar um troféu

O contingente de treinadores holandeses no futebol português é curto, apenas três, mas com um denominador comum positivo: todos eles não sairam de Portugal sem pelo menos um título conquistado. No total, são quatro as conquistas. O mais titulado foi o holandês Co Adriaanse que treinou o FC Porto em 2004/05 fazendo a dobradinha. Ronald Koeman que orientou o Benfica nessa mesma época conquistou a Supertaça e Mitchell van der Gaag foi campeão da II Liga pelo Belenenses em 2012/13. A estes três vai juntar-se agora Marcel Keizer, o próximo treinador do Sporting, o quarto técnico holandês do futebol português que não vai querer ficar atrás do registo dos seus conterrâneos.

Co Adriaanse foi o técnico holandês mais bem sucedido no futebol português. Chegou ao FC Porto no verão de 2005 para render José Couceiro e trazia como cartão de visita o ter levado o AZ Alkmaar às meias-finais da Taça UEFA, onde foi eliminado pelo Sporting de José Peseiro. Com um esquema tático arrojogado, 3x4x3, revolucionou o futebol portista. De início, a equipa sentiu dificuldades em assimilar os novos conceitos, e Co Adriaanse chegou mesmo a ser alvo de contestação dos adeptos, após um empate em Vila do Conde, e o automóvel do técnico chegou a ser atingido por um very-light. Com 71 anos, Co Adriaanse está retirado do futebol.

Co Adriaanse e Pinto da Costa, uma dupla que levou o FC Porto à dobradinha em 2005/06 mas que terminou em litígio (Foto Facebook)

Co Adriaanse acabaria por sair no início da época seguinte (2006/07) em conflito com o presidente Pinto da Costa. Foi já com o interino Rui Barros que os portistas conquistaram a Supertaça. Para trás deixou o legado do 3x4x3, com números finais que, no entanto, contrariam a tese de que a escolha holandesa produz equipas de cariz ofensivo e descura a organização defensiva. O FC Porto marcou apenas 54 golos, uma média de 1,5 por jogo, e só sofreu 16 golos (0,4). Durante o ano no Dragão, Adriaanse deu impulso às carreiras de jogadores como Helton, Bruno Alves, Bosingwa, Paulo Assunção, Raul Meireles, Lucho González, Anderson ou Ricardo Quaresma.

Na mesma época em que Co Adriaanse treinava o FC Porto, na Luz outro técnico holandês comandava o Benfica. Ronald Koeman. O agora selecionador holandês veio substituir o campeão Giovanni Trapattoni e começou bem, ao conquistar a Supertaça diante o Vitória de Setúbal, por 1-0. Mas esta acabou por ser a única conquista de Koeman. No campeonato, o Benfica foi terceiro, a 12 pontos do campeão. Nos dois jogos contra Adriaanse, Koeman levou a melhor. Venceu na Luz port 1-0 e no Dragão interrompeu um jejum de 14 anos sem vencer no terreno do rival, com dois golos de Nuno Gomes. Na Taça de Portugal, o Benfica de Koeman foi eliminado nos quartos-de-final pelo Vitória de Guimarães, na Luz, por 1-0.

Tal como o FC Porto de Co Adriaanse, o Benfica de Koeman também registou uma média de golos marcados inferior a 2 por jogo (1,5) correspondente a 51 golos apontados, e sofreu 29 (0,8).

Na Liga dos Campeões, o Benfica de Koeman fez uma bela campanha onde atingiu os quartos-de-final, depois de ter vencido o Manchester United na Luz na fase de grupos, por 2-1 e eliminado o Liverpool FC com triunfos em casa (1-0) e em Anfield (2-0). Nos 'quartos' caiu aos pés do FC Barcelona de Ronaldinho, Eto'o e Deco que ganhou nesse ano a Champions.

Ronald Koeman foi escolhido por José Veiga e Luís Filipe Vieira para suceder a Trapattoni, em 2005/06 (Foto Facebook)

O melhor que os benfiquistas recordam de Koeman foi mesmo a campanha na Champions: bateu o Manchester United em Lisboa e ultrapassou pela primeira vez a fase de grupos em onze anos, afastou o então campeão europeu Liverpool com vitórias na Luz e em Anfield e só caiu nos quartos-de-final às mãos do Barcelona de Ronaldinho, Deco e Eto'o, que viria a vencer a prova. Na Taça, foi afastado nos quartos pelo V. Guimarães, na Luz.

Depois de Co Adriaanse e Ronaldo Koeman, o futebol português conheceu ainda outro treinador holandês, Mitchell van der Gaag que fez carreira no Marítimo como defesa central durante cinco temporadas (2001 a 2006). Como técnico, iniciou-se na equipa B do Marítimo, primeiro como adjunto depois como técnico principal. Em 2009/10, rendeu Carlos Carvalhal na equipa principal com a época em andamento e levou o Marítimo à Europa terminado no quinto posto.

Mitchell van der Gaag saiu do Marítimo em 2010/11 com a época em curso e a equipa em zona de despromoção, e depois de dois anos de interregno regressou para treinar o Belenenses na Segunda Liga e foi campeão com 23 pontos de avanço sobre o Arouca, segundo classificado. Na época seguinte, saiu após ter tido um problema de saúde que o levou a ter de abandonar o banco de suplentes durante um jogo com o Marítimo, em que chegou a desmaiar. Atualmente treina o NEC Breda, da Holanda, que ocupa o penúltimo lugar da liga holandesa com apenas duas vitórias e dois empates em onze jogos.

Mitchell van der Gaag foi campeão da Segunda Liga pelo Belenenses, em 2012/13 (Foto Facebook)

No total de jogos em que esteve à frente de Marítimo e Belenenses, as equipas de Van der Gaag somam uma média de 1,6 golos por jogo e sofreram uma média de 1,2 golos por partida. Ou seja uma média de golos marcados superior às de Co Adriaanse (1,5) e Ronald Koeman (1,5) e uma média de golos sofridos superior às dos outros dois técnicos (0,4 e 0,8, respetivamente). Ou seja, um registo mais à holandesa o de Mitchell van der Gaag.

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