Portugal
Treinadores do Mundo aprendam com o mister Sérgio Conceição
2018-11-24 23:55:00
O FC Porto entrou em campo com uma equipa de cariz muito ofensivo

Sérgio Conceição voltou a mostrar o verdadeiro papel de um treinador: criar dificuldades à equipa adversária de forma a que esta seja incapaz de respirar, de pensar e, eventualmente, de existir. Mas isto não explica tudo. A equipa do Belenenses deu mesmo pouca luta.

Perdoem-nos se nos desviarmos um pouco do politicamente correto, mas a equipa do Belenenses esqueceu-se de subir ao relvado para disputar a primeira parte do encontro com o FC Porto, para a quarta eliminatória da Taça de Portugal. A equipa de Silas fez uma aparição nos primeiros minutos do segundo tempo, mas cedo recolheu aos balneários deixando, novamente, o FC Porto sozinho no relvado. É verdade que a entrada de Corona para a lateral-direita dos dragões teve um certo efeito surpresa nos lisboetas, mas não chega para justificar a fraquíssima exibição do Belenenses.

Sérgio Conceição promoveu algumas alterações no onze inicial. Voltou a dar uma oportunidade ao espanhol Adrián López na frente de ataque, para jogar ao lado de Soares e no lado direito fez aparecer o jovem André Pereira. No meio-campo apareceram Otávio, Óliver e Herrera e na lateral-direita evoluiu Corona. Ou seja, uma equipa de vocação tremendamente ofensiva.

Com isto pretendia Sérgio Conceição sufocar a equipa do Belenenses no momento de transição defensiva, mais até do que na fase ofensiva do seu jogo. Isto é, ter muitos jogadores lá na frente significa muita gente a pressionar a primeira fase de construção de jogo do Belenenses, que como é sabido, é uma das bandeira da equipa desde a chegada de Silas ao comando técnico. E resultou na perfeição. O Belenenses foi incapaz de sair a jogar e os avançados do Restelo nem cheiraram a bola na primeira parte (excetuando o lance em que Licá recebe uma bola na grande área do FC Porto, mas remata para as mãos de Fabiano).

O FC Porto ia jogando a seu bel-prazer com jogadas de envolvimento, sobretudo no lado direito, onde Corona atuava como mais um extremo aproveitando os espaços deixados por André Pereira que sempre que podia chegava-se ao meio, para mais perto da baliza, porque é aí que gosta de estar. Tanto assim foi que o FC Porto chegou ao primeiro golo logo aos 12 minutos. Resultado de uma excelente combinação entre Corona, Adrián López, Corona, outra vez, e Soares para empurrar a bola para o fundo da baliza de um desamparado Mika, de longe, o melhor jogador dos azuis de Lisboa.

Ao ver a pálida imagem que ia dando a sua equipa, Silas tentou mudar algumas dinâmicas ao intervalo. Tirou Lucca para colocar em campo Henrique, alguém com maior capacidade para sair a jogar. E verdade seja dita: os primeiros minutos da segunda parte mostraram um Belenenses diferente, mais afoito e com maior chegada à área do FC Porto. Mas foi sol de pouca dura. Depois de um par de assomos à área contrária, a rapaziada comandada por Silas voltou a encolher-se e o FC Porto voltou a pegar no jogo.

Sem ter de imprimir grande intensidade, a verdade é que o meio-campo dos dragões ia controlando o jogo. Herrera e Óliver mais fixos e Otávio mais solto. O brasileiro que continua a surgir nesta equipa do FC Porto como wildcard de Sérgio Conceição. E foi mais uma vez Otávio a decidir o encontro - como tem vindo a fazer nos últimos jogos, quer com golos quer com assistências para golos - com mais um golo de génio. Curiosamente, apenas dois minutos após ter desperdiçado um pontapé de penálti, assinalado sobre Herrera. O brasileiro permitiu uma excelente intervenção de Mika.

Mika foi incapaz, no entanto, de impedir o golo de Otávio dois minutos volvidos. O criativo brasileiro recebeu uma bola vinda de Soares, sensivelmente a meio do meio-campo ofensivo do FC Porto e, em slalom, tirou três adversários do caminho para ficar na cara de Mika. Desta feita, Otávio sentou Mika antes de colocar a bola no poste mais distante e fazer o 2-0 com que o FC Porto derrotou o Belenenses, uma equipa incapaz de responder a mais uma jogada de mestre de Sérgio Conceição. Só mais uma.