Portugal
"Tem sido uma guerra sem armas mas qualquer dia é com armas mesmo", diz Oliveira
2020-01-20 12:05:00
Ex-selecionador nacional e os episódios de violência

António Oliveira não compreende como é que Pedro Proença se lembrou apenas agora para pedir uma reunião com o Governo para abordar o tema da violência no desporto. O antigo selecionador destaca, porém, a necessidade de se acabar com esta situação que se vive nos estádios em Portugal.

"Os presidentes não querem resolver isto. Se quiserem, resolvem em 24 horas ou 48 horas. Temos a lei mas ninguém a aplica. Porquê? Vai o gajo da Liga, com o devido respeito, e depois não vai o da FPF nem os clubes. A memória é dos jogadores. E os jogadores têm os seus representantes que são os presidentes. Isto está tudo descoordenado. É a história dos gajos que têm muito dinheiro e os que não têm? Para quem tem muito dinheiro é tudo barato. E o pobre? E o gajo que ganha metade do ordenado mínimo? Para os clubes grandes é tudo fácil. E os pequenos?", questiona o antigo selecionador nacional.

Em declarações no programa 'Trio de Ataque', da 'RTP', Oliveira diz que "não é a Liga" que vai conseguir resolver a situação, até porque é "um escritório da Federação". "E a Federação só faz o que quer a UEFA e a FIFA", nota António Oliveira.

"Por isso a minha gargalhada. Pelo amor de Deus", lamentou o ex-treinador, acrescentando: "Deve estar a provocar-me ou a brincar comigo. É a primeira vez que isto acontece? A indisciplina tem anos com o Governo a assobiar para o lado. É agora que vão fazer? Descobriram agora a pólvora?".

Oliveira teme ainda que o clima possa ficar mais perigoso. "Já avisei que qualquer dia há mortos e feridos. Qualquer dia fazem disto uma batalha campal. Tem sido uma guerra sem armas e qualquer dia é com armas mesmo", salientou, lamentando a ausência de uma posição "firme" das entidades que tutelam o desporto, em Portugal.

"Até agora ouviram alguma palavra de quem tutela o país e o desporto?", questionou, deixando mais dúvidas no ar. "Urgência para quê? Mas quem é que manda. Continuam a olhar para o lado e não vão parar enquanto as consequências não se agravarem".

António Oliveira pede que se deixe de "tapar o sol com a peneira". "Vamos chamar as coisas pelos nomes", referiu, avisando ser necessário "criar espetáculo", na Liga portuguesa.

"O futebol tem de ser um espetáculo. Para mim no final da época é mais um campeonato que pode ir para um ou para outro. Se tivermos espetáculos é melhor para todos. É deprimente os jogos de 0-0", realçou, dizendo que "o futebol tem de ser muito bem vendido".