Portugal
"Sou um monstro, terrorista, bandido. Estamos a brincar com a minha vida"
2019-12-06 12:50:00
Ex-presidente do Sporting em declarações no espaço de comentário na rádio 'Estádio'

Bruno de Carvalho assume que não compreende a razão pela qual se está a fazer este julgamento do ataque à academia de Alcochete já que o "jornalismo maldoso" já tem uma decisão. "Estamos a brincar com a minha vida", lamentou.

"A minha condenação já está determinada há dois anos. Sou um monstro, terrorista, bandido e a narrativa tem de ser construída nessa volta", afirmou o ex-presidente do Sporting.

Em declarações no seu espaço de comentário na rádio 'Estádio', e numa semana em que ex-adjuntos de Jorge Jesus atribuiram culpas a Bruno de Carvalho pela mudança da hora do treino leonino no dia do ataque, o ex-dirigente reagiu às acusações e explicou a frase que foi dita em tribunal e a si atribuída pelo ex-chefe de segurança de Alcochete, Ricardo Gonçalves, sobre a reunião que teve com vários departamentos na véspera da invasão quando perguntou "se estavam com ele acontecesse o que acontecesse".

"Não me parece que Ricardo Gonçalves tenha dito o que disse de forma dramática de forma inocente. Parece-me que era para os jornalistas escreverem o que estava preparado", salientou, esclarecendo que teria que ver com o despedimento de Jesus.

Bruno de Carvalho assume que esta frase "não tem peso absolutamente nenhum pois foi explicada". "O jornalismo é importantíssimo e é uma profissão digna e devemos dizer a verdade e passar as informações com toda a clareza."

Questionado sobre o seu silêncio nas imediações do tribunal, antes e depois das sessões de julgamento, Bruno de Carvalho prosseguiu a explicação sobre como a frase "se estavam com ele acontecesse o que acontecesse" não foi explicada para o exterior.

"Para onde é que se queria levar esta frase? Vou repetir. Qual é o intuito? Quando se faz desta frase um suposto caso, o que era suposto ser o contrário? Era eu a falar das pessoas levar na tromba e se estavam comigo? Os jornalistas têm que usar aquilo que Deus lhes deu que é um cérebro."

"O façam o que quiserem já foi explicado também, já foi enquadrado. Eu nunca menti, não disse que não disse", comentou ainda sobre uma outra frase a si atribuída ao longo da investigação ao caso de Alcochete.

A 15 de maio do ano passado, durante o primeiro treino da equipa de futebol do Sporting, após uma derrota na Madeira com o Marítimo, por 2-1, cerca de 40 adeptos ‘leoninos’ encapuzados invadiram a academia do clube, em Alcochete, e agrediram vários jogadores, bem como o então treinador, Jorge Jesus, e outros membros da equipa técnica.

O atual líder da claque Juventude Leonina, Nuno Mendes ‘Mustafá’, o antigo presidente do Sporting Bruno de Carvalho e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do clube, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e ‘Mustafá’ também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque à academia, o Ministério Público imputa-lhes a coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Estes 41 arguidos vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.