Portugal
"Só continuaria a jogar se fosse para ser no Benfica", assegura Júlio César
2020-05-07 12:20:00
Ex-guarda-redes não esconde a sua gratidão com o clube encarnado

O antigo guardião, 87 vezes internacional pela “canarinha”, agora com 40 anos, recordou a temporada 2009-10, na qual, com José Mourinho ao leme, o Inter de Milão venceu a Serie A, a Taça de Itália e a Champions, numa campanha na qual Júlio César venceu o prémio de melhor guarda-redes da UEFA: “Foi um ano fantástico. A Champions foi a cereja no topo do bolo de todo o investimento que Massimo Moratti fez no clube. Cumpriu-se o sonho dele, mas também de muitos adeptos do Inter, que esperaram 45 anos para ver o clube ser campeão da europa de novo. Cada um de nós, os jogadores que fizemos parte daquele plantel, inscrevemos o nosso nome na história do clube”, garantiu.

Júlio César não poupou elogios a José Mourinho, seu técnico nas épocas 2008-09 e 2009-10 no Inter: “Ele chegou com o objetivo de ganhar a Champions e na segunda temporada conseguiu-o. O melhor que Mourinho tinha era a confiança que passava para a equipa. Cada jogador, após as palestras dele, sentia-se o melhor do mundo. Para vencer a Champions em 2010, nós vencemos o Chelsea, que seria campeão inglês, o CSKA, que seria campeão russo, o Barcelona, a equipa a bater na altura, e o Bayern, que se tivesse ganho a final teria conseguido o triplete. Naquele Inter, todos nos despimos de vaidade e remámos na mesma direção”, revelou.

Após o êxito em Itália e uma passagem pelo Queens Park Rangers e o Toronto FC, Júlio César assinou pelo Benfica e não esconde a sua gratidão para com o clube lisboeta.

“Depois da derrota no Mundial’2014 contra a Alemanha passei por um momento difícil a nível emocional. Ponderei retirar-me e cheguei a dizer a um amigo que só continuaria a jogar se fosse para ser no Benfica, pois o ‘namoro’ com o Benfica já era antigo. O presidente Luís Filipe Vieira disse para eu apanhar um avião para negociarmos e demorámos menos de uma hora a chegar a um acordo. E só lhe posso agradecer, porque jogar no Benfica foi incrível. É um clube com umas infraestruturas ao nível do melhor que há na Europa. O Estádio da Luz é a coisa mais linda que há e as condições no Seixal são fantásticas. No Benfica, um jogador só tem de se preocupar em jogar futebol. Só tenho de agradecer ao presidente e aos maravilhosos adeptos tudo o que vivi num clube em que ganhei oito títulos”.

No seu primeiro ano no Benfica, Júlio César foi orientado por Jorge Jesus e deixa, também, palavras muito elogiosas para com o atual técnico do Flamengo, emblema no qual o antigo guardião se deu a conhecer para o mundo do futebol:

“Eu não conhecia pessoalmente Jorge Jesus antes de trabalhar com ele, ainda que o David Luiz me dissesse que ele era um fenómeno, o melhor treinador com quem tinha trabalhado. E, quando trabalhei com Jesus, descobri um treinador exigente, apaixonado, muito bom taticamente. Com ele fiz a minha melhor época em Portugal. E agora estou muito contente por ele estar no clube do qual eu sou adepto. A chegada dele ao Flamengo revolucionou o futebol brasileiro e contribuiu para aproximar, ainda mais, Portugal e o Brasil”, opinou.

Após retirar-se da carreira de profissional de futebol, Júlio César decidiu viver com a família em Lisboa – “um ponto importante foi a hipótese de adquirir passaporte europeu, mas também porque Lisboa é incrível, muito semelhante ao Rio de Janeiro, com gente amável e uma comida maravilhosa”, revelou - e abraçar a carreira de empresário, não escondendo a intenção de aconselhar os mais jovens jogadores nas suas escolhas.

“Tento, através da minha experiência como jogador, trazer transparência, honestidade, e ajudar os que vêm de um meio mais humilde. Ajudá-los como uma assessoria a 360 graus, para que o atleta, quando acabe a carreira, possa ter uma vida tranquila. Eu quero ajudar os jogadores a manterem bons patamares de vida quando acabam a carreira. Há muitos empresários que não são transparentes, pensam primeiro em si e depois no atleta. A palavra representação mostra que nós representamos o atleta, logo temos o dever de ser transparentes com eles”, garantiu Júlio César.