Portugal
Se eles sofrem, nós sofremos com eles...
2018-10-05 17:45:00
O empate aceita-se, num jogo assim a dar para o fraquito.

Neste feriado de sexta-feira, houve sofrimento, no distrito de Viseu, no empate a um golo entre CD Tondela e Nacional – um resultado justo, diga-se. O sofrimento que demonstram as caras dos jogadores, na foto. Houve sofrimento dos jogadores, do público, da bola e de quem mais tenha visto este jogo. Mas atenção: não foi sofrimento permanente e contínuo. Já lá vamos.

Quem segue as Crónicas Bancada dos jogos da Liga Portuguesa certamente lerá, aqui, algo que já dissemos noutros jogos: senhores, para quando começar a colocar estes jogos da tarde no período da manhã, mais pela fresquinha? Obrigar estes rapazes a correr com este calor é absurdo. Sofrem eles e, sobretudo, sofre o futebol. E nós, que vemos o jogo, sofremos com eles.

E isto, não sendo algo mensurável, pode bem ter tido influência na primeira parte chatinha que vimos. As equipas estiveram bastante apáticas e, em vez de haver movimentações e ligações com e sem bola – sobretudo dos avançados, pouco dispostos a dar apoios frontais e soluções em largura ou profundidade –, havia homens parados. Os do Nacional, deixando os centrais sem soluções, a trocar a bola em zonas de posse fácil. Os do Tondela, a obrigar os centrais a bater longo e mal. Resultado: poucas oportunidades de golo e, mais do que isso, poucos lances bem construídos. O pouco futebol que houve foi na base do individual. O calor não explica tudo, mas ajudou.

Ao contrário de Costinha, Pepa, com a honestidade habitual, mostrou-se chateado com a exibição do Tondela, referindo que a equipa não fez um bom jogo e esteve melhor sem bola do que com ela. E tem toda a razão. O Tondela começou o jogo recuado, a deixar o Nacional trocar a bola sem grande pressão, e, quando subiu a segunda linha de pressão, aproximando os alas e os médios de Tomané, recuperou bolas mais à frente e deu um bocadinho de jogo interessante. Poucos minutos. Foi a melhoria desse desempenho e agressividade defensiva que permitiu aos beirões serem mais perigosos, mas a falta de inspiração e ligações, na frente, não permitiu ir mais longe. Foi o tipo de jogo no qual Arango talvez tivesse dado coisas que Tomané não dá - procurar a bola atrás dos médios adversários e tocar com os alas.

A brisa... ai, a brisa...

Na segunda parte, sejamos justos, o jogo melhorou. Melhorou, sobretudo, porque os jogadores começaram a demonstrar um tremendo desgaste, patente na forma como não faziam recuperações defensivas, deixando o adversário sair em transições ofensivas. Isto aconteceu com as duas equipas e o jogo ficou mais interessante e menos amarrado.

Num jogo aberto e com mais espaço para jogar, os jogadores conseguiram ter mais tempo para decidir e as execuções técnicas melhoraram. Ainda assim, ambas as equipas continuaram muito na base do rasgo individual, sem capacidade de associar os avançados em apoios ou de envolver médios em zonas de definição.

Não é coincidência que o primeiro golo tenha surgido precisamente numa má transição defensiva do Nacional - meninos, para trás é a subir? Aos 62 minutos, Xavier conseguiu ganhar espaço para cruzar e David Bruno veio lá de trás sem oposição e finalizou ao segundo poste. Como um fantasma. Quatro minutos depois, veio uma coisa bela. Golaço de outro lateral direito, Kalindi, que aproveitou uma bola a saltitar, a meia altura, mesmo a pedir uma valente “cacetada”. Tiro no ângulo.

O empate aceita-se, num jogo assim a dar para o fraquito. E não foi coincidência que, nesta segunda parte aberta, os lances de perigo tenham surgido de más transições defensivas. Já falámos do desgaste e do calor?