Portugal
Resposta felina do Boavista castigou falta de maturidade estorilista
João Pedro Cordeiro
2017-10-20 23:15:00
Boavista reagiu de forma felina à eliminação na Taça agravando a crise de um Estoril desorganizado e desequilibrado.

Mais um jogo, mais uma derrota. Depois de sete derrotas consecutivas e a precisar um resultado que invertesse a tendência negativa recente do Estoril Praia, Pedro Emanuel mudou algumas peças no xadrez, mas a equipa não correspondeu. No António Coimbra da Mota o Estoril Praia foi uma equipa pouco incisiva, desorganizada e pouco intensa, sintomas de um conjunto em clara crise desportiva. O Boavista, que não transpôs para a Taça de Portugal a boa forma que vai mostrando na liga portuguesa sob o comando de Jorge Simão, deu uma resposta felina à derrota perante o Vilaverdense e agravou a crise canarinha. Com critério e contra-atacar, explorando os pontos fracos adversários, o Boavista conquistou o 10 ponto em 12 possíveis desde que Jorge Simão assumiu o controlo do emblema do Bessa.

Triunfos perante o Vitória SC e o Tondela às segundas e terceiras jornadas da liga portuguesa pareciam trazer para 2017/18 um Estoril Praia na senda do conseguido pelo emblema canarinho no final da temporada 2016/17. O sol, porém, foi de pouca dura e sobre a costa estorilista pôs-se demasiado cedo na temporada. Desde então, nunca mais o Estoril venceu e, em casa, não marca sequer um golo desde agosto (3-0 frente ao Vitória). Hoje, a precisar de dar uma resposta à crise e à eliminação na Taça de Portugal, o Estoril mostrou a falta de engenho ofensiva habitual, falta de intensidade e, acima de tudo, uma desorganização que um Boavista repleto de critério soube aproveitar.

No António Coimbra da Mota defrontaram-se duas equipas a necessitar dar uma resposta austera à derrota sofrida na Taça de Portugal aos pés de equipas de divisões secundárias. Contudo, enquanto o Boavista foi felino nessa resposta, o Estoril Praia agravou a sua crise. No final da partida Pedro Emanuel destacou a falta de maturidade e juventude da equipa do Estoril Praia e, a verdade, é que em campo a equipa de Pedro Emanuel não soube dar resposta à crise. Desde cedo. A entrada do Boavista na Amoreira foi atrevida. Explorando o corredor direito, como viria a fazer ao longo de todo o encontro. Explorando, acima de tudo, o total desequilíbrio da equipa do Estoril sobre esse corredor. Ora pelas dificuldades posicionais de Abner, mas principalmente pela constante superioridade numérica construída por Renato Santos e Fábio Espinho sobre o lateral esquerdo do Estoril Praia. Aylton raramente compensou defensivamente e a necessidade de ser o médio interior, ora Wesley, ora mais tarde Eduardo, a auxiliar defensivamente Abner descompensou o corredor central permitindo ao Boavista ganhar segundas bolas e encontrar espaços facilmente no bloco defensivo adversário. Foi já depois de Moreira ter ultrapassado dois sustos que o Boavista chegou, merecidamente, à vantagem mesmo que para isso tenha precisado de um lance de bola parada. Carraça cobrou o livre de forma magistral e não mais o Boavista pareceu ver possível fugir-lhe a vitória.

Mas se ofensivamente o Boavista foi uma equipa que soube causar perigo, contra-atacar com critério e explorar as debilidades adversárias, defensivamente o conjunto de Jorge Simão não foi tão coeso quanto o resultado ou ausência de ocasiões flagrantes do Estoril Praia faz supor. A falta de critério ofensivo do conjunto de Pedro Emanuel e a deficiente finalização dos seus jogadores, sim. É que, no final, apesar da goleada, foi o Estoril quem construiu mais ataques e mais rematou à baliza do Boavista, uma clara demonstração que atacar muito, nem sempre significa atacar bem. E, atacar bem, foi algo que o Boavista soube fazer. Ainda antes do intervalo, e logo à passagem da meia hora, após novo contra-ataque criterioso a castigar um erro de Wesley, Rui Pedro estreou-se a marcar ampliando a vantagem axadrezada no António Coimbra da Mota.

O Estoril sucumbiu à pressão durante a primeira parte, mostrou-se desorganizado perante o Boavista (Eduardo substituiu mesmo Wesley ainda antes do intervalo) e, na segunda, a situação não melhorou, nem mesmo quando o Boavista, ora por deficiência física, ora por estratégia, recuou linhas e cedeu definitivamente o controlo da partida à equipa de Pedro Emanuel. O Estoril, porém, nunca conseguiu criar uma verdadeira oportunidade de golo. Foi mesmo o Boavista quem ficou perto do golo com Fábio Espinho, por duas vezes, a ter tempo e espaço na pequena área para incomodar Moreira já depois de ter obrigado o antigo guarda redes do Benfica, logo ao segundo minuto da etapa complementária, à defesa da noite. Vagner foi chamado apenas pontualmente à ação, resolvendo de forma tranquila grande parte dos ataques canarinhos e foi mesmo o Boavista que voltou a chegar ao golo. Após um canto curto que parecia mais para queimar tempo que atacar a baliza de Moreira, Kuca não rejeitou tamanhas facilidades e falta de pressão defensiva, e atirou à entrada da área para fechar a contagem. Não festejou, mas permitiu uma resposta felina do Boavista que agravou a crise de um clube que Kuca já serviu em tempos. Oitava derrota para o Estoril; Décimo ponto em doze possíveis para o Boavista de Jorge Simão.

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