Portugal
Raúl Silva: o não saber pentear-se, a "porrada" e o castigo
2018-04-01 16:20:00
Este é o homem que, neste sábado, pode ter tirado ao Sporting a possibilidade de ser campeão nacional.

Raúl Silva não tem como se pentear. Está dito e não fomos nós quem o disse. A ler mais no final.

Não se deve começar um texto destes com números e estatísticas, mas Raúl Silva é a exceção: este DEFESA CENTRAL (leu bem) já leva NOVE golos (leu bem, também) nesta temporada. É uma marca impressionante, que ja é imagem de marca (ignore o anaforismo). Este é o homem que, neste sábado, pode ter tirado ao Sporting a possibilidade de ser campeão nacional. Este é o homem que, um dia, precisou de um castigo. Este é o homem que, um dia, esteve marcado pelos árbitros.

O jogo deste sábado, frente ao Sporting, trouxe o "choro do guerreiro". Foi dia de mais uma marca do centralão goleador, mas foi mais do que isso. As imagens de Raúl Silva a chorar, após o golo, passaram em loop, durante toda a noite.

Quisemos conhecer melhor o homem que, praticamente, roubou ao Sporting a possibilidade de chegar ao primeiro lugar. Para isso, falámos com Fernando Ferreira, jogador do Académico de Viseu, que foi colega de Raúl Silva, no Marítimo. Ao Bancada, o médio define o jogador brasileiro como "uma pessoa muito brincalhona e alegre, que está sempre com as piadas dele”. “É muito engraçado”, garante, acrescentando que, no balneário, o atual jogador do SC Braga “transmite muita tranquilidade”. “Não é um líder que se impõe, mas é um líder que, naturalmente, pela forma de estar, transmite confiança”, detalha.

Raúl Silva tem 28 anos e é um simpático nordestino. Lá bem do topo do Brasil, de Belém, chegou a passar pelo Atlético Paranaense, mas foi depois de passagens por Paysandu e Figueirense que apanhou o barco para a Madeira.

Brincalhão cá fora, “mauzão” lá dentro

Lá dentro, no campo, o perfil brincalhão nem sempre foi visível. Raúl Silva chegou a Portugal em 2014, para jogar no Marítimo, mas era mais conhecido pelas entradas duras e pelos cartões do que pelo talento. Foram 24 cartões amarelos e seis vermelhos em apenas 35 jogos em duas temporadas de Marítimo. “Ele foi um bocadinho marcado pelos árbitros, porque era muito intempestivo”, explica Fernando Ferreira. Se foi marcado ou não é difícil dizer, mas o certo é que o brasileiro levou um pequeno “castigo”.

Voltou ao Brasil, por empréstimo ao Ceará, algo que, para Fernando Ferreira, “lhe fez muito bem”, porque voltou mais maduro: “Como jogador, cresceu muito. Está mais focado e mais maduro”. Que nos perdoe o Raúl, mas não era apenas má vontade dos árbitros...

Para além do perfil agressivo, algo em que o defesa já melhorou, Fernando Ferreira define Raúl Silva como um central “com boa saída de bola e muito bom no jogo aéreo ofensivo e defensivo”. Raúl Silva tem ainda a particularidade de ser canhoto e de ter, praticamente, 1,90m, algo que ajuda na tal capacidade no jogo aéreo, sobretudo ofensivo.

Posto isto – algo visível no número de golos que o central marca –, é impossível não perguntar: as equipas jogam para Raúl Silva, nos cantos e livres? “Não posso dizer que jogássemos só para ele, até porque tínhamos o Dyego Sousa e o Fransérgio, também eles fortíssimos nos lances aéreos ofensivos. Mas jogávamos para a zona deles, sim”, explica Fernando Ferreira.

Como nota de rodapé, peguemos nas palavras do médio do Académico de Viseu. Falou-se de Raúl Silva, de Dyego Sousa e de Fransérgio. Eram do Marítimo e, agora, são do SC Braga. Todos. Virá daqui parte do poder aéreo dos minhotos? É que ainda existem Hassan, Bruno Viana e Vukcevic, mais três “gigantones”. Para os servir há nomes como Jefferson, Esgaio, os irmãos Horta, João Carlos, Xadas e até Fábio Martins. Sim, se calhar está explicado...

E para pentear, como é?

Quisemos também saber qualquer coisa sobre Raúl Silva que o público não saiba. Dificilmente alguém atento ao futebol português nunca reparou no cabelo – digamos, particular – de Raúl Silva e foi mesmo esse o caminho seguido por Fernando Ferreira.

“Brincávamos muito com ele sobre o cabelo – ou melhor, o “não cabelo”. Ele tentava, de todas as formas, arranjar um penteado diferente. A melhor solução, parece-me a mim, é mesmo a atual, de não ter cabelo”, diz, com boa disposição.

A sério, Raúl, boa opção a da carecada total.

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