Portugal
Quim: “Não mudava nada do que fui até agora, nem as opções que tomei”
João Vasco Nunes
2017-09-13 13:30:00
Veterano guardião do Aves foi utilizado com 41 anos e está a cerca de um mês de poder bater recorde histórico da Liga

Foi com 41 anos, nove meses e 28 dias que Quim defendeu a baliza do Aves no triunfo caseiro frente ao Belenenses, na segunda-feira, para a quinta jornada da Liga, tornando-se no segundo jogador mais velho da história a jogar na primeira divisão e ficando a menos de um mês do recorde do histórico Manuel Bento. Após mais de quatro anos de ausência, a partida frente ao Belenenses marcou o regresso de Quim às balizas do primeiro escalão. O recorde deixaria o veterano guardião “feliz”, mas Quim garante-nos que só pensa em jogar.

“Se puder bater o recorde seria ótimo, mas o objetivo é preparar o próximo jogo como sempre o fiz. É isso que estou a fazer”, assegura Quim ao Bancada, após o final do treino desta quarta-feira do Aves, via telefone. “Sendo o Bento o detentor do recorde seria com enorme orgulho que o bateria. Foi um grande guarda-redes português e do Benfica e, certamente, ficaria muito feliz de alcançá-lo. É um objetivo pessoal que se conseguir, tudo bem… Mas o meu principal objetivo é jogar e ajudar o meu clube”, confessa Quim, que se estreou na Liga em 1994/95, ao serviço do SC Braga, e que só há pouco tempo soube da possibilidade de chegar a esta marco histórico: “Sinceramente, até me terem dito não sabia, nem procurei andar atrás disso. Mas se conseguisse concretizar seria ótimo. Bater recordes, sejam eles quais forem, deixa-me sempre feliz”.

Desde a estreia já lá vão 384 jogos. Mas Quim quer mais. “Cheguei a uma fase em que tenho de pensar no ‘depois’ e ficar ligado ao futebol é o objetivo. Ficar ligado ao posto também, mas logo se verá. Neste momento, preocupo-me em jogar no meu clube e no final logo se decidirá”, frisa. E qual o segredo para a longevidade? “Não há segredo. Treino diariamente sempre no máximo e, felizmente, em termos de lesões fui feliz ao longo da minha carreira. Faço a vida diária de uma pessoa normal, nada de excessos. Depois há a paixão que tenho por continuar a jogar e pelo posto de guarda-redes, que me leva a continuar. E irei continuar até me sentir com esta paixão e enquanto me sentir útil à equipa. Isso é o mais importante para mim. É agora e foi assim durante toda a minha carreira”, assegura-nos Quim.

Um número um do Aves teve em Vítor Baía o ídolo do início da carreira, a quem tentou “seguir as pisadas”, segundo nos conta, mas, atualmente, tem em Buffon também um exemplo, até pela longevidade que os une – o italiano faz 40 anos a 28 de janeiro –, e a quem apelidada de “velho”, em jeito de brincadeira. “Os velhos por vezes também são bons. Chegamos aos 30 anos e já nos chamam velhos, mas um guarda-redes com experiência e qualidade é nessa altura que fica melhor. Foi a partir dos 30 anos que me senti melhor. Quantos mais jogos vamos fazendo mais vamos melhorando em todos os aspetos e conhecendo melhor o lugar específico. Mas as pessoas ligam muito à idade. No caso do Buffon, tem estado sempre ao mais alto nível e ainda no ano passado foi um dos três melhores jogadores da Liga dos Campeões, o que quer dizer alguma coisa”, realça.

Quim está na 25.ª temporada da carreira ao mais alto nível e não que abrandar. A precisamente dois meses de completar 42 anos, pode chegar ainda em 2017 ao feito de se tornar o jogador mais velho a atuar na primeira divisão. Olhando para trás, qual o conselho que daria ao jovem Quim, que em 1993/94 se juntou ao plantel sénior do SC Braga? “Não mudava nada do que fui e o que fiz até agora, nem as opções que tomei. Dir-lhe-ia para não ligar demasiado às críticas. Quando somos jovens ligamos muito a isso. Quando era novo ligava muito a essas questões de provocações, os adeptos a deitar abaixo, a crítica... O lugar de guarda-redes é complicado. Podes fazer dez defesas e no final do jogo se sofres um frango as pessoas não se vão lembrar das defesas, mas, sim, do frango. Temos de estar preparados psicologicamente e ser fortes. Fui aprendendo aos poucos, hoje em dia posso dizer que sou psicologicamente muito forte e penso que isso atualmente é o mais importante num guarda-redes. Se pudesse dar um concelho [ao Quim, de 18 anos] seria para ser o que sou hoje em termos mentais”, conclui o antigo internacional português, que conta no currículo com dois títulos ao serviço do Benfica.

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