Portugal
Quem é Carlos Vieira, o homem que esteve com Bruno de Carvalho até ao fim
Luís Santos Castelo
2018-07-11 16:10:00
O antigo vice-presidente do Sporting tem sido apontado às eleições de 8 de setembro

 Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting, era o primeiro nome que vinha à cabeça de todos quando se falava do Conselho Diretivo que já deixou o clube. Contudo, havia outra pessoa a ter em conta. Carlos Vieira, antigo vice-presidente para a área financeira (e não só), era o braço direito do líder e, de acordo a imprensa nacional, vai a votos nas eleições para os órgãos sociais do próximo dia 8 de setembro. Isto sabendo que Bruno de Carvalho já anunciou a sua candidatura, o que significa que, se a veracidade dos rumores for real, vai estar frente a frente com o antigo patrão depois de ter estado com ele até ao fim. Conheça melhor a vida e a carreira do homem que fez o Sporting renascer financeiramente e teve sempre a confiança de Bruno de Carvalho.

Carlos Vieira cresceu na zona de Benfica nas décadas de 70 e 80, tendo entrado na Universidade Católica em 1990 para a licenciatura de Administração de Empresas. Completou o curso em 1996, tendo passado um semestre em Nantes, França, no âmbito do programa ERASMUS. Entre 1999 e 2000 completou uma pós-graduação em Economia na Universidade Lusófona e, finalmente, frequentou o mestrado em Administração de Empresas e Gestão no Instituto Superior de Gestão entre 2007 e 2009, mas, de acordo com a sua página no LinkedIn, não terminou a tese final.

Ainda enquanto estudava, Carlos Vieira trabalhou no Centro de Estudos e Sondagens de Opiniões da Universidade Católica e foi estagiário na Caixa Geral de Depósitos, tendo entrado para a PricewaterhouseCoopers, uma das maiores prestadoras de serviços de auditoria e consultoria no planeta, em 1996. Dois anos depois trocou de emprego e passou a trabalhar na Vodafone Portugal, tendo funções na gestão de planeamento e controlo. Foi ainda diretor de contabilidade na Media Capital ao mesmo tempo que era professor universitário no Instituto Superior de Ciências da Administração e na Universidade Lusófona. Foi CEO do Grupo Ensinus, uma instituição ligada ao ensino, e ainda exerce funções como vice-presidente da Associação Nacional de Escolas profissionais e como tesoureiro na Confederação Nacional da Educação e Formação. A posse destes cargos foi tomada antes de março de 2013, altura em que integrou a lista vencedora das eleições para os órgãos sociais do Sporting.

Nos leões, Carlos Vieira era um 'faz-tudo'. No LinkedIn do ex-dirigente verde e branco a descrição do emprego onde esteve durante cinco anos é a seguinte: "Vice-presidente do Conselho Diretivo do Sporting Clube de Portugal ([com os] pelouros Finanças, Património e Administrativo); Administrador da Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD, da Sporting SGPS, S.A., da Sporting Multimédia - Gestão, Produção e Exploração Multimédia, S.A. e da Construz - Promoção Imobiliária, S.A.; Gerente da Sporting Seguros; Vice-presidente da Fundação Sporting Clube de Portugal (IPSS)." Já se sabia, mas assim percebe-se a influência de Carlos Vieira na vida do clube, estando ao lado de Bruno de Carvalho em tudo o que se passava em Alvalade.

A ligação profissional ao desporto é praticamente nula na vida de de Carlos Vieira antes de chegar ao Sporting. Foi praticante de karaté e até foi instrutor da modalidade no Clube de Futebol Benfica, emblema geralmente conhecido como Fófó. Como gestor ou dirigente de alguma instituição desportiva, contudo, Carlos Vieira não tinha qualquer experiência. Isso não impediu Bruno de Carvalho de o escolher como vice-presidente para uma área que, em 2013, era absolutamente crítica no seio leonino: as finanças. E o trabalho de Carlos Vieira foi imediato. Foi um dos principais responsáveis pela reestruturação financeira do Sporting, conseguiu colocar os leões a dar lucro e ajudou a que a equipa de futebol tivesse mais dinheiro para se reforçar com mais qualidade. A rápida melhoria da saúde financeira do Sporting valeu a Carlos Vieira o Prémio Stromp de 2014 na categoria 'Dirigente'.

Com uma postura bastante diferente de Bruno de Carvalho, optando por ficar na sombra e falando apenas quando sente necessário, Carlos Vieira falou muito poucas vezes publicamente nos primeiros anos em que esteve no Sporting. Quando o fazia, utilizava o tempo de antena para explicar aos sócios leoninos o que aconteceu e ia acontecer às contas do clube, fugindo poucas vezes a esse tema. Nos últimos tempos, Carlos Vieira tem falado mais à comunicação social, mas quase sempre sobre o estado financeiro do Sporting. Fê-lo várias vezes na 'Sporting TV', por exemplo, mas não só, tendo dado várias entrevistas ao longo dos cinco anos em que foi vice-presidente.

Sempre teve a confiança total por parte de Bruno de Carvalho, com os dois aparecerem em público juntos em diversas ocasiões. Carlos Vieira foi até o enviado do Sporting à China já em 2018 para inaugurar uma academia do clube no Oriente, assim como para estabelecer relações diplomáticas no país. Apoiou sempre Bruno de Carvalho publicamente e esteve presente em várias conferências de imprensa com o antigo presidente nas semanas que antecederam a destituição do Conselho Diretivo a 23 de junho passado. Antes dessa Assembleia Geral, Carlos Vieira explicou que as pressões exercidas para que Bruno de Carvalho saísse do Sporting prejudicavam as finanças do clube. "A partir do momento em que temos pessoas com responsabilidades no clube, que é o maior acionista da SAD [a Holdimo], a criar instabilidade, a exigir a demissão do presidente do Conselho de Administração da SAD... Temos situações em que qualquer parceiro ou CMVM retrai-se com argumentos, porque entende que não estão garantidas as condições de segurança financeira para emissão de empréstimo obrigacionista", disse ao 'Diário de Notícias'.

Agora, caso se confirmem os rumores, separa-se definitivamente de Bruno de Carvalho para, também ele, se candidatar a presidente do Sporting. Especialista na área financeira, Carlos Vieira poderá usar esse trunfo na campanha eleitoral, tendo no 'palmarés' a recuperação de um Sporting que estava falido para um clube que consegue ter Jorge Jesus no banco e jogadores de dez milhões de euros.

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